Os EUA e o Terrorismo

> 11 de Setembro
 As ações terroristas têm como principal objetivo derrubar o poder estabelecido. Segundo MAZETTO (2005:9), “o ato terrorista muitas vezes tem sido confundido, de modo incauto ou premeditado, com as ações de luta armada movidas por ideais legítimos e como reação ou resistência à repressão de um agressor”. Os ataques terroristas originam-se nas relações sociais de dominação. Os dominados geralmente adotam o terror como tática para conseguir seus objetivos.
As ações utilizadas pelos terroristas, as chamadas táticas de terror, não são em nada ortodoxas, são atos radicais que quase sempre causam repulsa e ódio da população, como o atentado terrorista que ocorreu nos Estados Unidos da América no dia 11 de setembro de 2001.
Nesse dia, dois aviões se chocaram contra as duas torres gêmeas dos edifícios World Trade Center(complexo comercial), na cidade de Nova York. Os aviões tinham sido sequestrados minutos antes nos próprios aeroportos dos Estados Unidos. O primeiro avião a ser lançado na torre sul foi o da empresa United Airlines. Nele se encontravam 65 passageiros e 9 tripulantes. A torre norte do edifício World Trade Center foi o segundo alvo atingido, também por um avião da American Airlines, com 92 pessoas a bordo.
Um terceiro avião da companhia American Airlines, com 58 passageiros e 11 tripulantes, foi lançado contra o Pentágono (local onde funciona o Departamento de Defesa dos Estados Unidos e o comando das Forças Armadas). Uma quarta aeronave atingiu uma região não habitada na Pensilvânia.
Pela primeira vez na história, os Estados Unidos da América acabaram sofrendo várias baixas na sua população civil, em seu território, num conflito internacional. Algumas fontes indicam que os atentados aos norte-americanos, no ano de 2001, vitimaram cerca de 3000 pessoas. Esse fato chocou e causou alarme nos EUA e no restante do mundo.
Rapidamente, o serviço secreto norte-americano, a CIA (Agência Central de Inteligência), juntamente com a polícia federal estadunidense, o FBI (Departamento Federal de Investigação), acusaram Osama Bin Laden, que liderava o grupo terrorista AL Qaeda. Bin Laden, dias depois do atentado, fez um pronunciamento pelo canal de televisão árabe Al-Jazira, informando sua autoria, juntamente com a Al Qaeda, dos atentados de 11 de setembro de 2001.
Uma vez encontrado o autor dos atentados, as forças armadas norte-americanas logo se deslocaram para o Afeganistão, país que sediava a organização terrorista Al Qaeda e governado pelo Taliban (organização formada por fundamentalistas islâmicos). A ordem para os ataques ao Afeganistão partiu do presidente estadunidense George W. Bush. Após vários meses de intensos ataques e bombardeios, os norte-americanos conseguiram derrubar o governo Taliban, porém não alcançaram seu principal objetivo: capturar Osama Bin Laden.
Em consequência dos atentados de 2001, o congresso norte-americano aprovou a Lei Antiterrorismo, que autorizava escutas telefônicas de pessoas suspeitas de terem ligação com o terrorismo, censura de mensagens na Internet e prisão de pessoas estrangeiras sem comprovação de culpa. Os princípios democráticos prevalecentes nos EUA foram colocados em questionamento com a aprovação dessa lei, que restringia as liberdades da população civil.

> Guerra do Iraque
 
Após sofrer com os atentados de 11 de setembro, os Estados Unidos decidiram empreender uma “guerra contra o terror” apontando os governos que poderiam representar riscos à paz mundial. Nesse sentido, o presidente norte-americano George W. Bush e seu Conselho de Estado passaram a fazer uma campanha política pregando a intervenção no chamado “eixo do mal”. Entre os países que compunham esse grupo, estaria o Iraque, na época, liderado pelo ditador Saddam Hussein.
No ano de 2002, os EUA tentavam por meio da Organização das Nações Unidas provar que o governo iraquiano preservava um poderoso arsenal de armas químicas. Partindo dessa denúncia, George W. Bush ameaçou atacar o Iraque caso o governo daquele país não realizasse a destruição de seu arsenal militar. Em contrapartida, vários inspetores da ONU em visita ao Iraque não conseguiram obter provas concretas das acusações feitas pelos EUA.
Insistindo na veracidade de suas denúncias, o governo norte-americano pediu autorização do Conselho de Segurança da ONU para que pudesse promover a invasão militar do país. Sem ter provas reais que justificassem tal ataque, a ONU decidiu vetar o processo de ocupação dos EUA. Todavia, ignorando completamente a decisão da ONU, George W. Bush buscou apoio do governo britânico para que juntos promovessem a invasão militar do Iraque.
Em março de 2003, militares estadunidenses e britânicos deram início aos ataques que logo tomaram o controle da cidade de Bagdá. Cinco dias após a primeira ofensiva, os bombardeios à capital e o confronto com o exército iraquiano contabilizava um total de mais de 1000 mortes. No mês seguinte, Bagdá foi finalmente tomada pelas forças anglo-americanas, restando enfrentar as tropas e milícias do norte fiéis ao ditador Saddam Hussein.
Em maio, a ONU decidiu suspender todos os embargos econômicos há tanto tempo impostos ao Iraque e reconhecer a Autoridade Provisória de Coalizão, que deveria controlar o país, mesmo com a desconfiança da maioria da população. No final daquele mesmo ano, as tropas invasoras conseguiram capturar o foragido Saddam Hussein. Em pouco tempo, o ditador sofreu um processo criminal que o levou à pena de morte, sob a acusação de ter cometido diversos crimes contra a humanidade.
Nos dois anos seguintes, a bem sucedida ocupação sofreu com a oposição de grupos terroristas. Em 2005, a população iraquiana foi convocada às urnas para que escolhessem os membros integrantes de uma nova Assembléia Constituinte. Enquanto isso, dados apontavam que os atentados terroristas contra as forças estrangeiras alcançavam a faixa de noventa ataques diários. Internamente, os conflitos civis entre lideranças religiosas xiitas e sunitas ameaçavam a estabilidade do Iraque.
Durante esse período, dados extra-oficiais denunciavam que mais de 100 mil civis foram mortos na guerra. Enquanto isso, as nações responsáveis pela invasão tentavam convencer a opinião pública de que estavam garantindo a promoção de governos “justos” e “democráticos” pelo mundo. Contudo, ao longo do conflito, os EUA não conseguiram provar que o Iraque possuía um perigoso arsenal bélico de destruição em massa.
Por isso, muitos críticos apontam que a guerra teve suas motivações fundadas em outras questões subjacentes. No campo político, o ataque serviria para reafirmar a hegemonia político-militar dos EUA após os atentados de 11 de setembro. Além disso, a guerra traria grandes vantagens econômicas para as nações envolvidas com o controle sob as reservas de petróleo encontradas em território iraquiano.

> Guerra do Afeganistão
 
Em 2001, foi empossado como presidente dos EUA o republicano conservador George W. Bush, filho do ex-presidente George Bush, com uma mentalidade não muito diplomática e que coloca acima de tudo os interesses econômicos norte-americanos. Nesse mesmo ano iniciou a guerra do Afeganistão que foi iniciada por uma série de atentados terroristas ocorridos em 11 de setembro de 2001, esse foi o estopim da guerra, pois atingiu profundamente os americanos.
Esse ato terrorista foi visto simultaneamente no mundo inteiro, que aconteceu quando dois aviões cheios de gasolina atingiram as torres gêmeas, World Trade Center, em Nova York (símbolo do poder econômico e do capitalismo), um avião foi lançado no Pentágono (órgão responsável pela defesa americana), nas torres morreram 3.000 pessoas, no Pentágono houve mais de 100 mortos e milhares de feridos, além de um terceiro avião que caiu no Estado da Virgínia, esse provavelmente a própria força aérea americana deve ter abatido, temendo que ele pudesse atingir uma região com um número alto de pessoas, além de causar prejuízos materiais.
Os atentados foram provocados pelo grupo terrorista Al-Qaed, financiado pelo bilionário Osama Bin Laden, um fundamentalista taliban.
Após os atentados, o presidente George Bush adotou medidas ofensivas ao terrorismo e o alvo central era o Afeganistão, os EUA contaram com a participação da Grã-Bretanha, de inimigos do passado como a Rússia e o Paquistão. Em outubro de 2001 os EUA e o Reino Unido lançaram várias bombas em cidades afegãs, o taliban foi derrotado ainda em 2001.
O governo americano colocou no poder um aliado com a incumbência de reconstruir a nação e instaurar a democracia, marcada pela rivalidade entre as diversidades étnicas e religiosas.
Em 2004, o Afeganistão ganhou uma constituição e foi realizada a primeira eleição, isso não impediu os conflitos, pois as ações são realizadas por grupos contrários ao governo.

> Crise de 2008
 
A causa da crise que vivemos foi o desequilíbrio na maior economia do mundo, os Estados Unidos. E os ataques de 11 de setembro têm a ver com isso. “Depois da ofensiva terrorista, o governo americano se envolveu em duas grandes guerras, no Iraque e Afeganistão, e começou a gastar mais do que deveria”, diz Simão Davi Silber, professor do departamento de economia da Universidade de São Paulo (USP). Para piorar a situação, ao mesmo tempo em que o país investia dinheiro na guerra, a economia interna já não ia muito bem – uma das razões é que os Estados Unidos estavam importando mais do que exportando. Em vez de conter os gastos, os americanos receberam ajuda de países como China e Inglaterra. Com o dinheiro injetado pelo exterior, os bancos passaram a oferecer mais crédito, inclusive a clientes considerados de risco. Aproveitando-se da grande oferta a baixas taxas de juros, os consumidores compraram muito, principalmente imóveis, que começaram a valorizar. “A expansão do crédito financiou a bolha imobiliária, já que a grande procura elevou o preço dos imóveis”, diz Silber. Porém, depois disso, chegou uma hora em que a taxa de juros começou a subir, diminuindo a procura pelos imóveis e derrubando os preços. Com isso, começou a inadimplência – afinal, as pessoas já não viam sentido em continuar pagando hipotecas exorbitantes quando as propriedades estavam valendo cada vez menos.
Nesse momento, faltou dinheiro aos bancos, que em um primeiro momento foram ajudados pelo governo americano. Só que, ao mesmo tempo, surgiram críticas a essa política de socorro aos banqueiros. Frente à pressão política, a Casa Branca decidiu que não ia mais interferir, deixando o banco Lehman Brothers quebrar. O fechamento do quarto maior banco de crédito dos Estados Unidos causou pânico e travou o crédito. Chegou a crise, que prejudica também o nosso país. “Sem crédito internacional, também diminui o crédito no Brasil, caem as exportações e o preço das nossas mercadorias aumenta o risco e a taxa de juros”, explica Silber. O economista também afirma que as recessões são recorrentes, mas essa é maior do que de costume. “Uma crise dessa intensidade não é comum, a mais parecida com ela foi a de 1929”, afirma Silber.

Filmes

– Guerra ao Terror
 
JT Sanborn (Anthony Mackie), Brian Geraghty (Owen Eldridge) e Matt Thompson (Guy Pearce) integram o esquadrão anti-bombas do exército americano, em ação em pleno Iraque. Eles trabalham na destruição de um explosivo, fazendo com que seja detonado sem que atinja alguém. Entretanto, um erro faz com que o artefato exploda e mate Thompson. Em seu lugar é enviado o sargento William James (Jeremy Renner), que possui grande sangue frio em ação. Isto gera alguns desentendimentos com Sanborn, que o considera irresponsável. Apesar disto, o trio segue na ativa, tendo consciência de que cada dia concluído de trabalho é um dia a mais de vida.

– A hora mais escura
 
Os ataques terroristas sofridos pelos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001 deram início a uma época de medo e paranoia do povo americano em relação ao inimigo, onde todos os esforços foram realizados na busca pelo líder da Al Qaeda, Osama Bin Laden. Maya (Jessica Chastain) é uma agente da CIA que está por trás dos principais esforços em capturar Laden, por ter descoberto os interlocutores do líder do grupo terrorista. Com isso ela participa da operação que levou militares americanos a invadir o território paquistanês, com o objetivo de capturar e matar Bin Laden.

Questões

1. (ENEM) Na América do Sul, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) lutam, há décadas, para impor um regime de inspiração marxista no país. Hoje, são acusadas de envolvimento com o narcotráfico, o qual supostamente financia suas ações, que incluem
ataques diversos, assassinatos e seqüestros. Na Ásia, a Al Qaeda, criada por Osama bin Laden, defende o fundamentalismo islâmico e vê nos Estados Unidos da América (EUA) e em Israel inimigos poderosos, os quais deve combater sem trégua. A mais conhecida de suas ações terroristas ocorreu em 2001, quando foram atingidos o Pentágono e as torres do World Trade Center.

A partir das informações acima, conclui-se que

a) as ações guerrilheiras e terroristas no mundo contemporâneo usam métodos idênticos para alcançar os mesmos propósitos.
b) o apoio internacional recebido pelas Farc decorre do desconhecimento, pela maioria das nações, das práticas violentas dessa organização.
c) os EUA, mesmo sendo a maior potência do planeta, foram surpreendidos com ataques terroristas que atingiram alvos de grande importância simbólica.
d) as organizações mencionadas identificam-se quanto aos princípios religiosos que defendem.
e) tanto as Farc quanto a Al Qaeda restringem sua atuação à área geográfica em que se localizam, respectivamente, América do Sul e Ásia.

Resposta: C

2. (PUC-PR) Segundo o cientista da NASA James Hansen, a temperatura da Terra alcançou, nos últimos 30 anos, uma rápida ascensão de cerca de 0,2 graus Celsius, fenômeno este que jamais havia ocorrido dede que acabou a era glacial, há 12 mil anos. Tal aquecimento se explica, conforme o cientista, pelo aumento de emissão de gases estufa.
São consequências do fenômeno de aquecimento global:
I – Devastação das florestas e savanas.  
II – Redução do volume das geleiras alpinas e das calotas glaciais.
III – Maior possibilidade de formações de tempestades e ciclones, tanto no Atlântico Norte como no Atlântico Sul.
IV – Redução da acidez das chuvas.
V – Transgressão marinha sobre parte das faixas costeiras.
VI – Rebaixamento do nível dos oceanos e consequente expansão das áreas litorâneas.
VII – Aumento do risco de degradação dos ecossistemas coralíneos.
A resposta que apresenta apenas as consequências do fenômeno é:
a)II, III, V e VII, apenas.
b) I, II, III, IV, VI e VII.
c) I, III, IV, e VI, apenas.
d) II, IV, VI e VII, apenas.
e) II, III e VI, apenas.
Resposta: A

3.(Enem-2007) A Al-Qaeda é considerada uma organização:
a) fundamentalista islâmica
b) guerrilheira do Paquistão
c) religiosa paquistanesa
d) antiterrorista
e) democrata e religiosa
Resposta: A

4.(Etapa) A vitória de Barack Obama nas eleições presidenciais de 2008 foi revestida de grande significado. O mapa dos resultados finais do último pleito nacional norte-americano revela que a história do país continua afetando a sua geografia eleitoral.
É possível associar cerca de metade dos estados onde Barack Obama foi derrotado em 2008 ao seguinte aspecto da história dos Estados Unidos:
(A) utilização da mão-de-obra escrava
(B) proibição da entrada de imigrantes
(C) implantação das primeiras unidades industriais
(D) consolidação das principais organizações sindicais
Resposta: A

5. (Fupac/2012) Com relação à “crise do euro”, que vem afetando vários países europeus, é correto afirmar que:
A) Na Itália, Berlusconi manteve-se no cargo mesmo após denúncias de poder e de abuso sexual, ganhando força com a aprovação da Lei de Estabilidade.
B) Na Grécia, país com maior relação déficit/PIB entre os países europeus, surgiram várias manifestações dos sindicatos em decorrência da redução de salários e aumento de impostos, como forma de contenção de gastos.
C) Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha são países que tiveram elevados gastos públicos, mas, o déficit orçamentário é reduzido ante o tamanho de suas economias.
D) Dentre os países europeus em crise, a Espanha é o que apresenta em pior situação, pois, além de apresentar uma pequena economia em relação à Itália e à Grécia, possui elevada taxa de desemprego.
E) A crise pela qual várias economias europeias vêm passando são reflexo da crise que afetou os Estados Unidos em 2008, uma vez que os EUA tinham Grécia, Itália, Espanha e Portugal como principais credores.

Resposta: B

REPÚBLICA VELHA

Posted: January 2, 2014 in Segundo - Ensino Médio

República Velha

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a)República da Espada

Foi denominado pela historiografia brasileira como “República da Espada” o período de 1889 a 1894 onde, o regime republicano, recém instalado no país, teve como presidentes dois militares: Marechal Deodoro da Fonseca e Marechal Floriano Peixoto.
Um pequeno grupo de militares, insatisfeitos com a ação imperial, organizou um golpe que não foi prontamente identificado como tal. Muitos acreditavam que se tratava de uma parada militar. Assim, sem oferecer nenhuma resistência, Dom Pedro II saiu do poder pelas mãos de um golpe discreto e inesperado. O alagoano Deodoro da Fonseca, apesar de  sua grande amizade com o monarca deposto, acabou por liderar o movimento que instituiu a república em nosso país, a 15 de novembro de 1889. De líder da revolta republicana, Deodoro foi alçado à presidência do chamado Governo Provisório, que comandaria o país até que se realizassem eleições (diretas), a elaboração de uma nova Constituição e até mesmo uma consulta popular sobre qual regime o povo considera o melhor para o Brasil: República ou Monarquia (que, aliás acabou por ocorrer somente 104 anos após a proclamação da República).
Governo Provisório
O governo provisório republicano que dirigiria o país tinha como líder o marechal Deodoro da Fonseca, o proclamador da república brasileira que era amigo de D. Pedro II e deixara de ser monarquista às vésperas do golpe. Dentre as medidas adotadas por esse governo podemos destacar:
• Adoção do federalismo: o Brasil se tornou uma federação com sede no Rio de Janeiro, sendo que as províncias foram promovidas à estados-membros;
• Extinção do regime do padroado: a Igreja e o Estado foram separados e o catolicismo deixou de ser a religião oficial do Brasil. Foi então que tiveram origem os registros civis de nascimento e de casamento.
• Lei da grande naturalização: ela declarava cidadãos brasileiros os estrangeiros residentes no país.
• Criação de símbolos nacionais: houve a criação de uma nova bandeira como uma forma de substituir os símbolos da monarquia.
No campo econômico uma reforma financeira ficou muito famosa por colocar o país numa grave crise: o Encilhamento. Proposta por Rui Barbosa, na época Ministro da Fazenda, a medida tinha por objetivo incentivar o desenvolvimento da indústria. Para isso permitiu-se que bancos privados emitissem grandes quantidades de moeda que seria usada no pagamento de salários e em empréstimos para a criação de empresas.
Um ano após a proclamação da república foi reunida a Assembleia Contituinte no Rio de Janeiro para a elaboração daquela que seria a Primeira Constituição republicana do Brasil. Promulgada em 24 de fevereiro de 1891, ela adotava um sistema presidencialista de governo no qual o presidente era chefe de Estado e chefe de governo ao mesmo tempo. Houve também a divisão dos poderes segundo o modelo proposto por Montesquieu e o direito a voto foi garantido aos brasileiros maiores de 21 anos. Vale lembrar que o voto era aberto (não secreto) e vetado à mulheres, analfabetos, mendigos, soldados e religiosos.
Constituição de 1891
Com a instalação do regime republicano no Brasil, um novo conjunto de leis deveria sinalizar em favor da ascensão dessa nova conjuntura política. No entanto, Deodoro da Fonseca (que então ocupava a presidência provisoriamente) retardou a formação de uma Assembléia Constituinte pretendendo manter-se no poder por um maior período de tempo. No entanto, a penosa situação econômica do país e a pressão dos cafeicultores paulistas forçaram a convocação da Assembléia em junho de 1890.

As eleições para a formação da nova constituinte foram realizadas no dia 7 de setembro daquele ano, ligando o evento político à data de comemoração da independência do país. Mesmo antes da escolha dos integrantes da Assembléia, um texto constitucional já tinha sido elaborado por uma comissão liderada por Rui Barbosa. Por isso, a assembléia, no prazo de três meses, discutiu alguns pontos pendentes de um texto já pré-estipulado por integrantes do governo.

O Poder Executivo era exercido pelo presidente da República, nos estados o representante do poder era assumido pelo presidente estadual. O Poder Legislativo era dividido entre duas casas: a Câmara dos Deputados e o Senado. Os representantes dessas duas facções do Legislativo eram escolhidos por meio do voto direto. Nos estados, o Poder Legislativo era somente assumido pelo Poder Legislativo. O Poder Judiciário era assumido pelo Supremo Tribunal Federal, seguido por tribunais disseminados em cada um dos estados.

1) Governo de Deodoro da Fonseca

O Marechal Deodoro da Fonseca foi o primeiro presidente do Brasil após a Proclamação da República de 15 de novembro de 1889. Ele foi responsável pelo rompimento com a monarquia ao dissociar o Estado da Igreja, renovar os cargos políticos e, inclusive, reformular o Código Penal. Criou o registro civil de nascimento e casamento, que antes ficava a cargo da Igreja.
Seu ministério era composto por antigos liberais e adeptos do republicanismo. Eram eles: Campos Sales: Ministro da Justiça; Eduardo Wandenkolk: Ministro da Marinha; Benjamin Constant: Ministro da Guerra e Instrução Pública, Correios e Telégrafos; Quintino Bocaiúva: Ministro de Negociações Estrangeiras; Aristides Lobo: Ministro do Interior; Demétrio Nunes Ribeiro: Ministro da Agricultura, Comércio e Obras Públicas; Rui Barbosa: Ministro da Fazenda.
Reconhecido como grande intelectual, Rui Barbosa  era a aposta do marechal para que a economia do país alavancasse com a crise pós-monarquia. Porém, ele era inexperiente e acabou comprometendo a economia nacional com uma política monetária que ficou conhecida como ‘encilhamento’. Assim, os bancos tinham liberdade para emitir papel-moeda e conceder empréstimos.
Opositores brotavam de todos os lados: em Minas Gerais, Pernambuco e Rio Grande do Sul, os cafeicultores estavam insatisfeitos com as políticas públicas do marechal; os cafeicultores, que estavam sendo representados na Assembleia, entraram em conflito com o presidente; e alguns operários e trabalhadores mostraram sua revolta com a economia do país organizando uma greve na Estrada de Ferro da Central do Brasil.
Em 23 de novembro de 1891, o presidente Marechal Deodoro da Fonseca renunciou ao cargo após a ameaça do almirante da Marinha Custódio de Melo de bombardear a Baía de Guanabara.
Governo de Floriano Peixoto

2) Floriano Peixoto assumiu em 23 de novembro de 1891 a presidência do Brasil, após a renúncia do Marechal Deodoro da Fonseca, do qual era vice.
Para contornar a insatisfação da maioria com os republicanos, Peixoto mandou construir casas, diminuir os altos valores dos aluguéis e até mesmo isentar os mais pobres de pagar os altos impostos cobrados após a crise instaurada pelo governo anterior.
Seu perfil populista acabou preocupando as elites do país, que decidiram organizar um grande movimento de oposição. Eles argumentavam que Floriano Peixoto desrespeitou a Constituição ao assumir o país como vice sem eleições diretas – o que de fato ocorreu.
Mesmo com a ampla oposição das elites cafeicultoras, os paulistas convenceram Floriano Peixoto a apoiar a candidatura de Prudente Moraes, que se tornaria o primeiro civil a ocupar o cargo  da presidência. Apesar da violência e do paternalismo, que lhe deram força política, Peixoto não quis prolongar o mandato e, em 15 de novembro de 1894, foi substituído pelo candidato paulista.
República Oligárquica
Com a proclamação da República, em 1889, inaugurou-se um novo período na história política do Brasil: o poder político passou a ser controlado pelas oligarquias rurais, principalmente as oligarquias cafeeiras. Entretanto, o controle político exercido pelas oligarquias não aconteceu logo em seguida à proclamação da República – os dois primeiros governos (1889-1894) corresponderam à chamada República da Espada, ou seja, o Brasil esteve sob o comando do exército. Marechal Deodoro da Fonseca liderou o país durante o Governo Provisório (1889-1891). Após a saída de Deodoro, o Marechal Floriano Peixoto esteve à frente do governo brasileiro até 1894.
No ano de 1894, os grupos oligárquicos, principalmente a oligarquia cafeeira paulista, estavam articulando para assumir o poder e controlar a República. Os paulistas apoiaram Floriano Peixoto. Dessa aliança surgiu o candidato eleito nas eleições de março de 1894, Prudente de Morais, filiado ao Partido Republicano Paulista (PRP). A partir de então, o poder político brasileiro ficou restrito às oligarquias agrárias paulista e mineira, de 1894 a 1930, período conhecido como República Oligárquica. Assim, o domínio político presidencial durante esse intervalo de tempo prevaleceu entre São Paulo e Minas Gerais, efetivando a política do café-com-leite.
Mas, afinal, como era efetivado o apoio aos candidatos à presidência da República do governo federal pelos governadores dos estados? Esse apoio ficou conhecido como coronelismo: o título de coronel surgiu no período imperial, mas com a proclamação da República os coronéis continuaram com o prestígio social, político e econômico que exerciam nas vizinhanças das localidades de suas propriedades rurais. Eles eram os chefes políticos locais e exerciam o mandonismo sobre a população.
Os coronéis sempre exerceram a política de troca de favores, mantinham sob sua proteção uma enorme quantidade de afilhados políticos, em troca de obediência rígida. Geralmente, sob a tutela dos coronéis, os afilhados eram as principais articulações políticas. Nas áreas próximas à sua propriedade rural, o coronel controlava todos os votos eleitorais a seu favor (esses locais ficaram conhecidos como “currais eleitorais”).
Na Revolução de 1930, Getúlio Vargas assumiu o poder após um golpe político que liderou juntamente com os militares brasileiros. Os motivos do golpe foram as eleições manipuladas para presidência da República, as quais o candidato paulista Júlio Prestes havia ganhado, de forma obscura, em relação ao outro candidato, o gaúcho Getúlio Vargas, que, não aceitando a situação posta, efetivou o golpe político, acabando de vez com a República Oligárquica e com a supremacia política da oligarquia paulista e mineira.

– Canudos
A Guerra de Canudos é tida como um dos principais conflitos que marcam o período entre a queda da monarquia e a instalação do regime republicano no Brasil.
Incriminada por setores influentes e poderosos da sociedade da época, Canudos foi alvo das tropas republicanas. Ao contrário das expectativas do governo, a comunidade conseguiu resistir a quatro investidas militares. Somente na última expedição, que contava com metralhadoras e canhões, a população apta para o combate (homens e rapazes) foi massacrada. A comunidade se reduziu a algumas centenas de mulheres, idosos e crianças. Antonio Conselheiro, com a saúde fragilizada, morreu dias antes do último combate. Ao encontrarem seu corpo, deceparam sua cabeça e a enviaram para que estudassem as características do crânio de um “louco fanático”.
Cangaço
Entre o final do século XIX e começo do XX (início da República), surgiu, no nordeste brasileiro, grupos de homens armados conhecidos como cangaceiros. Podemos entender o cangaço como um fenômeno social, caracterizado por atitudes violentas por parte dos cangaceiros. Estes, que andavam em bandos armados, espalhavam o medo pelo sertão nordestino. Promoviam saques a fazendas, atacavam comboios e chegavam a seqüestrar fazendeiros para obtenção de resgates. Aqueles que respeitavam e acatavam as ordens dos cangaceiros não sofriam, pelo contrário, eram muitas vezes ajudados. Esta atitude, fez com que os cangaceiros fossem respeitados e até mesmo admirados por parte da população da época.
Como não seguiam as leis estabelecidas pelo governo, eram perseguidos constantemente pelos policiais. Usavam roupas e chapéus de couro para protegerem os corpos, durante as fugas, da vegetação cheia de espinhos da caatinga. Além desse recurso da vestimenta, usavam todos os conhecimentos que possuíam sobre o território nordestino (fontes de água, ervas, tipos de solo e vegetação) para fugirem ou obterem esconderijos.
Existiram diversos bandos de cangaceiros. Porém, o mais conhecido e temido da época foi o comandado por Lampião (Virgulino Ferreira da Silva), também conhecido pelo apelido de “Rei do Cangaço”. O bando de Lampião atuou pelo sertão nordestino durante as décadas de 1920 e 1930. Morreu numa emboscada armada por uma volante, junto com a mulher Maria Bonita e outros cangaceiros, em 29 de julho de 1938. Tiveram suas cabeças decepadas e expostas em locais públicos, pois o governo queria assustar e desestimular esta prática na região.

– Guerra do Contestado
Conflito que surgiu entre 1912 e 1916, em uma área povoada por sertanejos, entre as fronteiras do Paraná e Santa Catarina. Eram pessoas muito pobres, oprimidas, que não possuíam terras e também padeciam com a escassez de alimentos.
As empresas empregaram os imigrantes nos trabalhos com a estrada de ferro e na exploração de madeira. Deram início então à retirada forçada dos nativos, que ocupavam ilegalmente um pedaço de terra, na qual trabalhavam para que se tornasse fértil. Essa atitude revoltou os sertanejos e foi o estopim para o conflito, que se destacou por sua característica sócio-política. A Guerra do Contestado colocou os nativos contra o governo, as multinacionais e as oligarquias. Os sertanejos encontraram o apoio que precisavam nos monges, figuras muito respeitadas por esse povo.
O governo federal não viu com bons olhos o trabalho de José Maria, que passou a representar um risco para a ordem e segurança da região. Ele e seus seguidores foram severamente reprimidos pelas multinacionais e pela guarda armada do governo federal. Eles pretendiam dar fim aos povoados sertanejos e obrigá-los a sair por bem ou por mal dos territórios dos quais haviam tomado posse. No mês de novembro de 1912 ocorreu a batalha de Irani, o qual marcou este conflito e desencadeou na morte do monge José Maria. Os sertanejos, inconformados com a morte de seu líder, partem para o extremo, dando início a uma guerra civil. Novas sedes foram constituídas por seus sectários, que até este momento não pensavam em se render, mais sim em continuar lutando, desgostando o governo federal que, ávido por acabar definitivamente com esta guerra, resolve usar todo seu poderio militar e abater as últimas fortificações resistentes, utilizando para este fim um grande contingente de soldados equipados com fuzis, canhões, metralhadoras e aviões, nunca antes usados em uma ação bélica desta magnitude.
A Guerra do Contestado acabou com a capitulação dos revoltosos e muitas mortes, pois os mesmos resistiram bravamente antes de se dar por vencidos.

– Revolta da Vacina

No início do século XX, a cidade do Rio de Janeiro era a capital do Brasil. Estava crescendo desordenadamente. Sem planejamento, as favelas e cortiços predominavam na paisagem. A rede de esgoto e coleta de lixo era muito precária, as vezes inexistente. Em decorrência disto, dezenas de doenças se proliferavam na população, como Tifo, Febre Amarela, Peste Bubônica, Varíola, entre outras enfermidades.
Vendo a situação piorar cada dia mais, o então presidente Rodrigues Alves decide fazer uma reforma no centro do Rio, implementando projetos de saneamento básico e urbanização. Mais tarde, os cadetes da Escola Militar da Praia Vermelha também se voltaram contra a lei da vacina. A revolta popular fez com que o governo suspendesse a lei, não sendo mais obrigatória. Para finalizar a rebelião, Alves coloca nas ruas o exército, polícia e marinha.
Ao final da revolta, o governo recomeça a vacinação da população, tendo como resultado a erradicação da varíola na cidade.
Revolta da Chibata
No início do século XX, os marinheiros brasileiros eram submetidos a uma dura rotina de trabalho e recebiam salários baixíssimos. Não bastando, os membros de baixa patente eram submetidos a castigos físicos toda vez que não cumpriam uma ordem estabelecida. Apesar de a prática ser proibida desde o fim do Império, era comum que os marinheiros recebessem chibatadas como forma de punição.
Em 1910, sob comando de um marujo negro e analfabeto chamado João Candido, os marinheiros dos couraçados Minas Gerais e São Paulo organizaram um protesto. Neste, tomaram o controle das embarcações e enviaram um telegrama ao presidente exigindo que os castigos fossem abolidos, os salários incrementados e uma folga semanal concedida a todos os marinheiros. Se não tivessem seu pedido imediatamente atendido, ameaçavam bombardear a capital.
Durante a realocação para o território amazônico, alguns dos condenados foram submetidos ao fuzilamento. João Candido acabou sendo inocentado pelo governo federal. Entretanto, perdeu a sua colocação na Marinha e foi internado como louco no Hospital dos Alienados. Na época, o tratamento no sanatório poderia ser tão ou mais cruel que a própria prisão. Em 1969, ele acabou morrendo pobre, esquecido e acometido por um câncer.

– Semana de Arte Moderna

A Semana de Arte Moderna de 1922, realizada em São Paulo, no Teatro Municipal, de 11 a 18 de fevereiro, teve como principal propósito renovar, transformar o contexto artístico e cultural urbano, tanto na literatura, quanto nas artes plásticas, na arquitetura e na música. Mudar, subverter uma produção artística, criar uma arte essencialmente brasileira, embora em sintonia com as novas tendências européias, essa era basicamente a intenção dos modernistas.
O movimento modernista eclodiu em um contexto repleto de agitações políticas, sociais, econômicas e culturais. Em meio a este redemoinho histórico surgiram as vanguardas artísticas e linguagens liberadas de regras e de disciplinas. A Semana, como toda inovação, não foi bem acolhida pelos tradicionais paulistas, e a crítica não poupou esforços para destruir suas idéias, em plena vigência da República Velha, encabeçada por oligarcas do café e da política conservadora que então dominava o cenário brasileiro. A elite, habituada aos modelos estéticos europeus mais arcaicos, sentiu-se violentada em sua sensibilidade e afrontada em suas preferências artísticas.
O catálogo da Semana apresenta nomes como os de Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Yan de Almeida Prado, John Graz, Oswaldo Goeldi, entre outros, na Pintura e no Desenho; Victor Brecheret, Hildegardo Leão Velloso e Wilhelm Haarberg, na Escultura; Antonio Garcia Moya e Georg Przyrembel, na Arquitetura. Entre os escritores encontravam-se Mário e Oswald de Andrade, Menotti Del Picchia, Sérgio Milliet, Plínio Salgado, e outros mais. A música estava representada por autores consagrados, como Villa-Lobos, Guiomar Novais, Ernani Braga e Frutuoso Viana.
A Semana não foi tão importante no seu contexto temporal, mas o tempo a presenteou com um valor histórico e cultural talvez inimaginável naquela época. Não havia entre seus participantes uma coletânea de idéias comum a todos, por isso ela se dividiu em diversas tendências diferentes, todas pleiteando a mesma herança, entre elas o Movimento Pau-Brasil, o Movimento Verde-Amarelo e Grupo da Anta, e o Movimento Antropofágico. Os principais meios de divulgação destes novos ideais eram a Revista Klaxon e a Revista de Antropofagia.
O principal legado da Semana de Arte Moderna foi libertar a arte brasileira da reprodução nada criativa de padrões europeus, e dar início à construção de uma cultura essencialmente nacional.

– Movimento Operário Brasileiro
Na República Velha temos a vivência de todo um processo de transformações econômicas responsáveis pela industrialização do país. Não percebendo de forma imediata tais mudanças, as autoridades da época pouco se importavam em trazer definições claras com respeito aos direitos dos trabalhadores brasileiros. Por isso, a organização dos operários no país esteve primeiramente ligada ao atendimento de suas demandas mais imediatas.
No início da formação dessa classe de trabalhadores percebemos a predominância de imigrantes europeus fortemente influenciados pelos princípios anarquistas e comunistas. Contando com um inflamado discurso, convocavam os trabalhadores fabris a se unirem em associações que, futuramente, seriam determinantes no surgimento dos primeiros sindicatos. Com o passar do tempo, as reivindicações teriam maior volume e, dessa forma, as manifestações e greves teriam maior expressão.
Passadas todas as agitações, a ação grevista serviu para a formação de um movimento mais organizado sob os ditames de um partido político. No ano de 1922, inspirado pelo Partido Bolchevique Russo, foi oficializada a fundação do PCB, Partido Comunista Brasileiro. Paralelamente, os sindicatos passaram a se organizar melhor, mobilizando um grande número de trabalhadores pertencentes a um mesmo ramo da economia industrial.

– Tenentismo
O tenentismo foi um movimento que ganhou força entre militares de média e baixa patente durante os últimos anos da República Velha. No momento em que surgiu o levante dos militares, a inconformidade das classes médias urbanas contra os desmandos e o conservadorismo presentes na cultura política do país se expressava. Ao mesmo tempo, o tenentismo era mais uma clara evidência do processo de diluição da hegemonia dos grupos políticos vinculados ao meio rural brasileiro.

Influenciados pelos anseios políticos das populações urbanas, os militares envolvidos nesse movimento se mostraram favoráveis às tendências políticas republicanas liberais. Entre outros pontos, reivindicavam uma reforma constitucional capaz de trazer critérios mais justos ao cenário político nacional. Exigiam que o processo eleitoral fosse feito com o uso do voto secreto e criticavam os vários episódios de fraude e corrupção que marcavam as eleições.

A falta de apelo entre os setores mais populares, e as intensas perseguições e cercos promovidos pelo governo acabaram dispersando esse movimento. Luís Carlos Prestes, notando a ausência de um conteúdo ideológico mais consistente à causa militar, resolveu aproximar-se das concepções políticas do Partido Comunista Brasileiro. Em 1931, o líder da Coluna mudou-se para a União Soviética, voltando para o país somente quatro anos mais tarde.

– Características dos períodos da República Velha

Ao se transformar em república federativa, o Brasil parecia modernizar a sua estrutura política ao permitir que os cidadãos escolhessem os seus representantes pela força política do voto. Contudo, essa disseminação democrática do poder não passou de uma teoria sem aplicação em terras brasileiras. A instituição da República, ao invés de privilegiar a participação dos cidadãos, transformou o coronel em figura política essencial.
A figura do coronel surgiu durante a era regencial, quando o governo resolveu conceder títulos de alta patente para os grandes fazendeiros que financiavam a Guarda Nacional. O poder conferido ao coronel permitiu que esses latifundiários formassem milícias que deveriam manter a ordem interna reprimindo toda espécie de levante popular. Com o passar do tempo, a patente militar se transformou em claro sinônimo de poderio político.
Utilizando das armas e soldados que tinha à sua disposição, um coronel poderia perseguir os seus inimigos políticos ou impor seus interesses à população local. Na passagem do Império para a República, o poder político do coronel foi ampliado com a proteção e as oportunidades de trabalho oferecidas por esses grandes proprietários. Dessa forma, os camponeses e trabalhadores livres de uma região se viam enlaçados em uma rígida relação de dependência.
Afrontar o interesse econômico e político de um coronel poderia significar a exposição do indivíduo ao mais amplo leque de punições, que poderiam ir da perda do trabalho ao homicídio. Com isso, ao dominar os moradores de uma região pela força do dinheiro e das armas, o coronel estabelecia um “curral eleitoral” subordinado às suas decisões no tempo das eleições. Nessa época, o coronel indicava qual o candidato cada um de seus “apadrinhados” deveria votar.
Essa prática, mais conhecida como “voto de cabresto”, era também acompanhada por outra série de fraudes eleitorais. Quando julgava necessário, um coronel poderia alterar o resultado de uma eleição fraudando a contagem dos votos ou incluindo o voto de pessoas que não existiam ou já estariam mortas. Através desse conjunto de ações, uma mesma família poderia manter-se durante anos seguidos no controle político de uma região.
Em troca de favores políticos, esses coronéis garantiam a eleição de representantes que controlavam o cenário político nacional. Sem maiores dificuldades, o resultado das eleições executivas ou a hegemonia do poder legislativo poderiam ser manipulados pelo interesse particular dessa pequena elite de proprietários. Dessa forma, pontuando uma forte contradição da nossa democracia, o coronelismo perpetuava uma cultura política autoritária e permissiva no país.

* O período que vai de 1889 a 1930 é conhecido como a República Velha. Este período da História do Brasil é marcado pelo domínio político das elites agrárias mineiras, paulistas e cariocas. O Brasil firmou-se como um país exportador de café, e a indústria deu um significativo salto. Na área social, várias revoltas e problemas sociais aconteceram nos quatro cantos do território brasileiro.

A) A República da Espada (1889 a 1894)
proclamação da República Proclamação da República (Praça da Aclimação, atual Praça da República, Rio de Janeiro, 15/11/1889)
Em 15 de novembro de 1889, aconteceu a Proclamação da República, liderada pelo Marechal Deodoro da Fonseca. Nos cinco anos iniciais, o Brasil foi governado por militares. Deodoro da Fonseca, tornou-se Chefe do Governo Provisório. Em 1891, renunciou e quem assumiu foi o vice-presidente Floriano Peixoto.
O militar Floriano, em seu governo, intensificou a repressão aos que ainda davam apoio à monarquia.
A Constituição de 1891 ( Primeira Constituição Republicana)
Após o início da República havia a necessidade da elaboração de uma nova Constituição, pois a antiga ainda seguia os ideais da monarquia. A constituição de 1891, garantiu alguns avanços políticos, embora apresentasse algumas limitações, pois representava os interesses das elites agrárias do pais. A nova constituição implantou o voto universal para os cidadãos ( mulheres, analfabetos, militares de baixa patente ficavam de fora ). A constituição instituiu o presidencialismo e o voto aberto.

B)República das Oligarquias
O período que vai de 1894 a 1930 foi marcado pelo governo de presidentes civis, ligados ao setor agrário. Estes políticos saiam dos seguintes partidos: Partido Republicano Paulista (PRP) e Partido Republicano Mineiro (PRM). Estes dois partidos controlavam as eleições, mantendo-se no poder de maneira alternada. Contavam com o apoio da elite agrária do país.
Dominando o poder, estes presidentes implementaram políticas que beneficiaram o setor agrário do país, principalmente, os fazendeiros de café do oeste paulista.
Surgiu neste período o tenentismo, que foi um movimento de caráter político-militar, liderado por tenentes, que faziam oposição ao governo oligárquico. Defendiam a moralidade política e mudanças no sistema eleitoral (implantação do voto secreto) e transformações no ensino público do país. A Coluna Prestes e a Revolta dos 18 do Forte de Copacabana foram dois exemplos do movimento tenentista.

* Política do Café-com-Leite
A maioria dos presidentes desta época eram políticos de Minas Gerais e São Paulo. Estes dois estados eram os mais ricos da nação e, por isso, dominavam o cenário político da república. Saídos das elites mineiras e paulistas, os presidentes acabavam favorecendo sempre o setor agrícola, principalmente do café (paulista) e do leite (mineiro). A política do café-com-leite sofreu duras críticas de empresários ligados à indústria, que estava em expansão neste período.
Se por um lado a política do café-com-leite privilegiou e favoreceu o crescimento da agricultura e da pecuária na região Sudeste, por outro, acabou provocando um abandono das outras regiões do país. As regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste ganharam pouca atenção destes políticos e tiveram seus problemas sociais agravados.

* Política dos Governadores
Montada no governo do presidente paulista Campos Salles, esta política visava manter no poder as oligarquias. Em suma, era uma troca de favores políticos entre governadores e presidente. O presidente apoiava os candidatos dos partidos governistas nos estados, enquanto estes políticos davam suporte a candidatura presidencial e também durante a época do governo.

* O coronelismo
A figura do “coronel” era muito comum durante os anos iniciais da República, principalmente nas regiões do interior do Brasil. O coronel era um grande fazendeiro que utilizava seu poder econômico para garantir a eleição dos candidatos que apoiava. Era usado o voto de cabresto, em que o coronel (fazendeiro) obrigava e usava até mesmo a violência para que os eleitores de seu “curral eleitoral” votassem nos candidatos apoiados por ele. Como o voto era aberto, os eleitores eram pressionados e fiscalizados por capangas do coronel, para que votasse nos candidatos indicados. O coronel também utilizava outros “recursos” para conseguir seus objetivos políticos, tais como: compra de votos, votos fantasmas, troca de favores, fraudes eleitorais e violência.

* O Convênio de Taubaté
Essa foi uma fórmula encontrada pelo governo republicano para beneficiar os cafeicultores em momentos de crise. Quando o preço do café abaixava muito, o governo federal comprava o excedente de café e estocava. Esperava-se a alta do preço do café e então os estoques eram liberados. Esta política mantinha o preço do café, principal produto de exportação, sempre em alta e garantia os lucros dos fazendeiros de café.

* A crise da República Velha e o Golpe de 1930
Em 1930 ocorreriam eleições para presidência e, de acordo com a política do café-com-leite, era a vez de assumir um político mineiro do PRM. Porém, o Partido Republicano Paulista do presidente Washington Luís indicou um político paulista, Julio Prestes, a sucessão, rompendo com o café-com-leite. Descontente, o PRM junta-se com políticos da Paraíba e do Rio Grande do Sul (forma-se a Aliança Liberal ) para lançar a presidência o gaúcho Getúlio Vargas.
Júlio Prestes sai vencedor nas eleições de abril de 1930, deixando descontes os políticos da Aliança Liberal, que alegam fraudes eleitorais. Liderados por Getúlio Vargas, políticos da Aliança Liberal e militares descontentes, provocam a Revolução de 1930. É o fim da República Velha e início da Era Vargas.

* Galeria dos Presidentes da República Velha:  Marechal Deodoro da Fonseca (15/11/1889 a 23/11/1891), Marechal Floriano Peixoto (23/11/1891 a 15/11/1894), Prudente Moraes (15/11/1894 a 15/11/1898), Campos Salles (15/11/1898 a  15/11/1902) , Rodrigues Alves (15/11/1902 a 15/11/1906), Affonso Penna (15/11/1906 a 14/06/1909), Nilo Peçanha (14/06/1909 a 15/11/1910), Marechal Hermes da Fonseca (15/11/1910 a 15/11/1914), Wenceslau Bráz (15/11/1914 a 15/11/1918), Delfim Moreira da Costa Ribeiro (15/11/1918 a 27/07/1919), Epitácio Pessoa (28/07/1919 a 15/11/1922),
Artur Bernardes (15/11/1922 a 15/11/1926), Washington Luiz (15/11/1926 a 24/10/1930).

Questões

1. (Unesp) Com a proclamação da República no Brasil, as antigas províncias receberam a denominação de estados. A mudança de província no Império para estado na primeira República não foi somente questão de nomenclatura, considerando que

a) os presidentes das províncias indicavam o primeiro ministro no parlamentarismo brasileiro e os estados eram administrados por interventores nomeados pelo presidente.
b) os governantes das províncias eram membros das famílias tradicionais da sociedade local e os presidentes dos estados atendiam aos interesses gerais da nação.
c) os presidentes das províncias exerciam um mandato de quatro anos, enquanto na presidência dos estados havia grande rotatividade política provocada por lutas partidárias.
d) as províncias substituíam o poder central na manutenção da integridade territorial do país, enquanto os estados delegavam essa função ao presidente da república.
e) os presidentes das províncias eram indicados pelo poder central, enquanto os presidentes dos estados eram eleitos pelas situações políticas e sociais regionais.
alternativa E

2. (ENEM 2011) É difícil encontrar um texto sobre a Proclamação da República no Brasil que não cite a afirmação de Aristides Lobo, no Diário Popular de São Paulo, de que “o povo assistiu àquilo bestializado”. Essa versão foi relida pelos enaltecedores da Revolução de 1930, que não descuidaram da forma republicana, mas realçaram a exclusão social, o militarismo e o estrangeirismo da fórmula implantada em 1889. Isto porque o Brasil brasileiro teria nascido em 1930.

MELLO, M. T. C. A república consentida: cultura democrática e científica no final do Império. Rio de Janeiro: FGV, 2007 (adaptado).

O texto defende que a consolidação de uma determinada memória sobre a Proclamação da República no Brasil teve, na Revolução de 1930, um de seus momentos mais importantes. Os defensores da Revolução de 1930 procuraram construir uma visão negativa para os eventos de 1889, porque esta era uma maneira de

a) valorizar as propostas políticas democráticas e liberais vitoriosas.
b) resgatar simbolicamente as figuras políticas ligadas à Monarquia.
c) criticar a política educacional adotada durante a República Velha.
d) legitimar a ordem política inaugurada com a chegada desse grupo ao poder.
e) destacar a ampla participação popular obtida no processo da Proclamação.
alternativa D

3. (UERJ) Um dos documentos mais curiosos para a história da grande data de 15 de novembro consiste, a nosso ver, no aspecto inalterável da rua do Ouvidor, nos dias 15, 16 e 17, onde, a não ser a passagem das forças e a maior animação das pessoas, dir-se-ia nada ter acontecido. Tão preparado estava o nosso país para a República, tão geral foi o consenso do povo a essa reforma, tão unânimes as adesões que ela obteve, que a rua do Ouvidor, onde toda a nossa vida, todas as nossas perturbações se refletem com intensidade, não perdeu absolutamente o seu caráter de ponto de reunião da moda. (Adaptado de THOME,J. “Crônica do chic”. 1889. Apud PRIORE,M.D.et alli. Documentos de História do Brasil de Cabral aos anos 90. São Paulo: Scipione, 1997.)

“Em frase que se tornou famosa, Aristides Lobo, o propagandista da República, manifestou seu desapontamento com a maneira pela qual foi proclamado o novo regime. Segundo ele, o povo, que pelo ideário republicano deveria ter sido protagonista dos acontecimentos, assistira a tudo bestializado, sem compreender o que se passava, julgando ver uma parada militar.”
(CARVALHO, J.M. “Os bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.)

Nos textos apresentados, encontram-se as opiniões de dois observadores do fim do século XIX – José Thome e Aristides Lobo – a respeito da Proclamação da República. A divergência entre as posições dos autores sobre o evento refere-se ao seguinte aspecto:

a) ideário republicano
b) reação da população
c) caráter elitista do movimento
d) caracterização política do regime
alternativa B

4. (Mackenzie) “Policarpo era um patriota; monarquista conservador, foi ardoroso defensor do governo (forte) de Floriano a favor do qual engajou-se na luta contra a Armada rebelada. Acabou preso, condenado e executado. Teve um triste fim.”
(Afonso H. Lima Barreto, TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA).

O período da República referido no texto é:

a) a República da Espada.
b) o Estado Novo.
c) a República dos Coronéis.
d) a República Nova.
e) a Fase Populista.
alternativa A

5. (Unifesp) “Mete dinheiro na bolsa – ou no bolso, diremos hoje – e anda, vai para diante, firme, confiança na alma, ainda que tenhas feito algum negócio escuro. Não há escuridão quando há fósforos. Mete dinheiro no bolso. Vende-te bem, não compres mal os outros, corrompe e sê corrompido, mas não te esqueças do dinheiro… E depressa, depressa, antes que o dinheiro acabe”.
(Machado de Assis, 1896.)

Essa passagem evoca o clima que se criou no país com
a) a valorização do café.
b) a Abolição.
c) a Guerra do Paraguai.
d) o Encilhamento.
e) o ciclo da borracha
alternativa D

6. (IFCE) São aspectos do Governo de Floriano Peixoto:
a) promulgação da Constituição de 1891, Revolta da Chibata e Crise do Encilhamento.
b) a grande naturalização de estrangeiros, Revolta da Vacina e Política dos Governadores.
c) a questão da legalidade, a Revolta da Armada e a Revolta Federalista no Rio Grande do Sul.
d) reorganização da Comissão Verificadora de Poderes, aplicação de uma nova política econômica marcada pelo “funding loan” e fortalecimento da Política do Café com Leite.
e) a Guerra do Contestado, o combate ao coronelismo e o tenentismo.
alternativa C

7. (G1) Foram as revoltas ocorridas durante o governo de Floriano Peixoto:
a) Revolução Federalista e Revolta da Armada;
b) Revolta de Canudos e Revolução Praieira;
c) Revolta da Chibata e Revolta do Contestado;
d) Revolução Federalista e Coluna Prestes;
e) Revolta da Armada e Revolta do Forte de Copacabana.
alternativa A

8. (FGV) A cidade do Rio de Janeiro foi bombardeada em setembro de 1893. O acontecimento refere-se à:
a) Revolta da Vacina
b) Reação Republicana
c) Revolta da Armada
d) Derrubada de Floriano Peixoto
e) Revolta da Chibata
alternativa C

9. (Unitau) “…o maior líder sertanejo do Brasil e comandante do maior e mais importante movimento camponês de luta pela posse da terra e de resistência à opressão dos latifundiários da história brasileira.”

A frase acima refere-se a:
a) Manoel Vinagre, líder da Cabanagem.
b) Francisco Sabino Alvares da Rocha Vieira, líder da Sabinada.
c) Raimundo Gomes, líder da Balaiada.
d) Antonio Conselheiro, líder de Canudos.
e) Luis Carlos Prestes, líder Tenentista.
alternativa D

10. (Ufg) A Guerra de Canudos (1896-1897) é emblemática no debate sobre a formação da nação no período republicano. A República recém-proclamada enfrentou um Brasil desconhecido: o sertão e os sertanejos. A guerra, tragicamente, significou um aprendizado para os brasileiros demonstrando que a

a) fragmentação e as grandes distâncias das regiões litorâneas impediram a organização e o crescimento das comunidades sertanejas.
b) unidade cultural do país é fruto de um longo processo de gestação iniciado com a ocupação do litoral e o fabrico do açúcar.
c) presença da Igreja Católica no sertão representava um elo entre a comunidade e as autoridades republicanas.
d) frágil base política em que se assentava o governo republicano foi incapaz de reconhecer a questão social e cultural suscitada por Canudos.
e) resistência política dos monarquistas organizados no arraial de Canudos era uma ameaça à ordem republicana.
alternativa D

11. (UFC) “Na manhã do dia seis Canudos foi destruída Com bombardeios e incêndios Não ficou nada com vida Dizem que o Conselheiro Tinha morrido primeiro Na Belo Monte querida”
(FRANÇA, Antônio Queiroz de e RINARÉ, Rouxinol do. “Antonio Conselheiro e a Guerra de Canudos.” Fortaleza, Tupynanquim, 2002, p 32.)
Em relação aos movimentos como o de Canudos é correto afirmar que:

a) foram movimentos que se limitaram às regiões Norte e Nordeste do Brasil, marcadas pela presença dos latifúndios.
b) foram movimentos sem grande repercussão, visto que se situavam no campo e a maior parte dos trabalhadores do país encontrava-se nas cidades.
c) no campo o domínio dos coronéis era absoluto, e esses movimentos sociais tiveram que se disfarçar como um movimento de conteúdo religioso, para evitar a repressão.
d) foram movimentos nos quais se combinavam conteúdos religioso e social, pois questionavam o poder das autoridades civis e religiosas.
e) foram movimentos de conteúdo exclusivamente religioso, marcados pelo fanatismo, reprimidos por Pedro II e pelos republicanos que se esforçavam para construir um país civilizado.
alternativa D

O FIM DO IMPÉRIO

Posted: January 2, 2014 in Segundo - Ensino Médio

Transformações Socioeconômicas do Império

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1) Velha Monarquia e novo Brasil

No Brasil, durante as ultimas décadas do século XIX, houve profundas mudanças econômicas e sociais, provocadas pelas riquezas provenientes do café e da chegada de diversos imigrantes no continente.
Os militares, por exemplo, não mais se comportavam de forma passiva ao governo imperial. Muitos deles defendiam, inclusive, o abolicionismo e causas republicanas. Até a igreja católica passou a contestar o estado.
Todas essas alterações fizeram com que o governo central tivesse de dar respostas rápidas, e estas não poderiam mais ser feitas através da monarquia.

2) Queda da monarquia e movimento abolicionista

Desde o início, a sociedade aceitou o escravismo como um componente da vida brasileira, portanto, todas as maneiras, inglórias, de escravos tentarem escapar de tal exploração não adquiriam grande importância perante sociedade.
Somente depois da provação da Lei Euzébio de Queiroz (A Lei Eusébio de Queirós foi a legislação que proibiu definitivamente o tráfico de escravos para o Brasil), uma parcela da sociedade começou a se manifestar contra a escravidão, mas somente após a guerra do Paraguai a campanha foi realmente incorporada ao debate político. Pensadores, romancistas, jornalistas e poetas, como Castro Alves eram belos exemplos, de simpatizantes liberais que defendiam a abolição da escravidão.
O movimento abolicionista, porém, não se apresentava coeso, pois um grupo do mesmo defendia que a abolição deveria ocorrer por medidas oficiais, e outro grupo defendia que a abolição deveria ser uma conquista dos próprios negros. Diante desse cenário, o governo imperial, aos poucos, foi tomando medidas a favor do abolicionismo, como:
– Em 1871, a Lei do Ventre Livre, também conhecida como “Lei Rio Branco” que foi promulgada em 28 de setembro de 1871, e considerava livre todos os filhos de mulheres escravas nascidos a partir da data da lei. Segundo esta lei, as crianças ficariam sob a custódia dos seus donos ou do estado até os seus 21 anos, depois desta idade poderiam ficar livres.
– Em 1885, a Lei dos Sexagenários  concedia liberdade apenas aos escravos com mais de 65 anos, que já não dispunham de força e disposição para encarar as péssimas condições de trabalho cedidas pelos senhores de engenho. Para combater a resistência das elites em apoiar o fim do trabalho escravo e as hesitações do governo imperial surgiram os caifases, que tinham este objetivo.
Até que, depois de muito perdurar, em 13 de maio de 1888, a princesa Isabel assinou a Lei Áurea que abolia definitivamente o trabalho escravo em terras brasileiras, sem pagamento de indenização aos proprietários. Com essa lei, o império perdeu definitivamente seu apoio político.

3) Movimento republicano

A crise política que provocou o desgaste progressivo da monarquia brasileira teve início em 1868, quando o imperador D. Pedro II delegou ao primeiro-ministro conservador a incumbência de compor o gabinete, dissolvendo a Câmara dos Deputados. A crise extrapolou os limites do palácio fazendo com que surgissem críticas abertas do parlamento de da imprensa.
No ano seguinte, uma dissidência do partido liberal que deu origem ao partido radical, fundou, em 1870, o Partido Republicano. Em 3 de dezembro, o jornal A república publicou o manifesto republicano, que combatia a monarquia defendia a República, além do federalismo. Pregava também a adoção de um regime representativo da vontade da maioria da população e a alternância política no poder.
Em 1873, foi fundado o Partido republicano paulista (PRP). Este era liderado com cafeicultores paulistas que desejavam a descentralização política e a instauração do federalismo e da república para que com isso, estes pudessem ter autonomia para construir estradas, ferrovias portos e etc. para o escoamento do café.
Havia divergências, não somente quanto à teoria do partido, mas também quanto a pratica do mesmo. O grupo dos “modernos”, como foi descrito por José Murilo de Carvalho, defendia o caminho da legalidade, da evolução ordeira e pacífica para o poder. Já o grupo dos “jacobinos”, como foi descrito pelo mesmo historiador, eram adeptos as ideias republicanas que propunham a mobilização popular para derrubar a monarquia e construir um estado republicano de bases populares. Havia ainda outro grupo formado por republicanos defensores do positivismo, estes defendiam uma ditadura republicana.
Desde a fundação do império, a Igreja católica ficou em posição de submissa a este, e dois poderosos instrumentos garantiam isso: O padroado – que deu ao imperador o direito de nomear membros do clero, e o beneplácito – que submetia à aprovação do imperador as decisões tomadas pela cúpula, em Roma.  Em vários momentos o clero se manifestou contra tais medidas, porém  ápice, ocorreu quando o imperador negou a aprovação de uma determinação do papa Pio IX eu proibia a presença de católicos na maçonaria e ordenava que membros desta associação se afastassem da igreja. Alguns bispos decidiram seguir as orientações de Roma e foram severamente repreendidos pelo governo, tendo a prisão decretada, no ano seguinte, porém, os bispos obtiveram perdão graças a intervenção do duque de Caxias. As relações igreja e estado, entretanto, ficaram profundamente desgastados.
Até a guerra do Paraguai, o exército brasileiro ocupava posição secundária na vida política nacional. Na década de 1860, o governo imperial viu-se na então necessidade de reforçar as tropas e equipá-las com armamentos mais modernos. A vitória na guerra fortaleceu o exército, principalmente os oficiais, que passaram a criticar as lideranças civis que viviam disputando pelo poder. Durante quase toda a década de 1880 uma série de conflitos colocou em oposição o imperador e alguns oficiais do Exército. Caia, assim, mais uma dos pilares que sustentava a monarquia.

4) Proclamação da República

A crise política resultou na convergência de interesses entre o Exército e o PRP. Tratava-se da união das duas maiores forças políticas organizadas da época. Em 15 de novembro de 1889, Deodoro da Fonseca liderou tropas desfilando pelas ruas do RJ. Naquele momento ocorreu o episódio que ficou conhecido como Proclamação da república. O ato de 15 de novembro foi resultado de lutas antimonárquicas que ocorriam desde 1870. A ideia da república não era estranha ao debate político da época, já o ato da proclamação e da parada militar de Deodoro da Fonseca, este sim pegou a todos de surpresa.

Curiosidades

1. Nada de Marechal Deodoro da Fonseca. O primeiro a dar o grito da República (e também da Independência) foi o sargento-mor e vereador de Olinda (Pernambuco) Bernardo Vieira de Melo. O militar lançou a proposta em 10 de novembro de 1710 porque estava insatisfeito com a exploração abusiva do país pelos monarcas portugueses. A Câmara da capital pernambucana rejeitou o pedido. A Independência do Brasil, de fato, só viria a se concretizar depois de 112 anos, e a formação da República, 179 anos mais tarde.

2. Ao proclamar a República, no dia 15 de novembro de 1889, Deodoro da Fonseca estava com um ataque de dispneia. Foi tirado da cama no meio da noite para comandar o cerco ao Ministério. Foi sem a espada, porque seu ventre estava muito dolorido. O cavalo baio número 6 que usou não foi mais montado até a sua morte, em 1906.

3. Deodoro havia decidido apoiar os republicanos quatro dias antes. “Eu queria acompanhar o caixão do imperador, que está idoso e a quem respeito muito. Mas o velho já não regula bem, Portanto, já que não há outro remédio, leve à breca a Monarquia. Nada mais temos a esperar dela. Que venha, pois, a República”, disse.

4. Quando passou pelo portão do Ministério da Guerra, o marechal acenou com o quepe e ordenou às tropas que se apresentassem. As tropas se perfilaram e ouviram-se os acordes do Hino Nacional. Estava proclamada a República. Não houve derramamento de sangue. O único que se feriu foi o Ministro da Marinha, José da Costa Azevedo, que reagiu à voz de prisão.

5. Dom Pedro ficou sabendo da movimentação de tropas no Rio de Janeiro quando estava numa casa de banhos em Petrópolis.

6. Mesmo depois de proclamada a República, ninguém quis levar o telegrama com a notícia para D. Pedro II, que estava em seu palácio em Petrópolis. No meio da noite, o major Sólon Ribeiro foi ao encontro do Imperador, que teve que ser acordado. Na verdade, com medo de manifestações a favor da monarquia, os líderes do movimento pediam que D. Pedro II e sua família partissem naquela mesma madrugada. Dizem os relatos que a Imperatriz Tereza Cristina chorou, que Isabel ficou muda e que o Imperador apenas soltou um desabafo: “Estão todos loucos!”

7. Antes de viajar, no dia 17 de novembro, Pedro II escreveu uma mensagem para o povo brasileiro: “Cedendo ao império das circunstâncias, resolvo partir com toda a minha família para a Europa amanhã, deixando esta pátria de nós estremecida, à qual me esforcei por dar constantes testemunhos de entranhado amor e dedicação durante quase meio século, em que desempenhei o cargo de chefe de Estado. Ausentando-me, eu com todas as pessoas de minha família, conservarei do Brasil a mais saudosa lembrança, fazendo votos por sua grandeza e prosperidade.”

8. No momento de embarcar, o imperador recebeu um convite de seu sobrinho, dom Carlos, rei de Portugal, colocando à sua disposição um dos seus palácios em Lisboa. Pedro agradeceu, mas não aceitou a oferta.

9. No dia 5 de dezembro de 1889, o navio Alagoas chegou a Lisboa. A viagem da família real durou 18 dias. Apesar de ter sido recebido com honras, ele preferiu se hospedar com a imperatriz Teresa Maria num hotel na cidade do Porto. Depois de 23 dias, Teresa Maria faleceu no quarto do hotel.

10. Pedro II morreu deitado num travesseiro que ele encheu com terra brasileira.

QUESTÕES

01. (FATEC) No século XIX, a Inglaterra pressionou diversos países para acabar com o protecionismo comercial e com a existência do trabalho compulsório. Esta situação culminou, em 1845, com o “Bill Aberdeen”. Neste contexto o Brasil sancionou, em 1850, a “Lei Eusébio de Queirós” tratando:

a) da extinção do sistema de parceria na lavoura cafeeira;
b) da manutenção dos arrendamentos de terras;
c) da extinção do tráfico indígena entre o norte e o sul do país;
d) da manutenção do sistema de colonato na lavoura canavieira;
e) da extinção do tráfico negreiro.
Alternativa E

02. A vida político-partidária do Segundo Reinado estava marcada pela disputa entre o Partido Conservador e o Partido Liberal. Os dois partidos se caracterizavam por, exceto:

a) defender a monarquia e a preservação do “status quo”;
b) representar os interesses da mesma elite agrária;
c) possuir profundas diferenças ideológicas e de natureza social;
d) ter origem social semelhante;
e) alternarem-se no poder, com predomínio dos conservadores.
Alternativa C
03. (UCSAL) A Tarifa “Alves Branco”, de 1844, como ficou conhecido o decreto do Ministro da Fazenda, foi uma medida de caráter:

a) reformista
b) monopolista
c) protecionista
d) mercantilista
e) cooperativista
Alternativa C
04. (UCSAL) A introdução da mão-de-obra do imigrante na economia brasileira contribuiu para a:

a) desestruturação do sistema de parceria na empresa manufatureira;
b) implantação do trabalho assalariado na agricultura alimentícia;
c) expansão do regime de co-gestão nas indústrias alimentícias;
d) criação de uma legislação trabalhista voltada para a proteção do trabalho;
e) reordenação da estrutura da propriedade rural nas áreas de produção açucareira.
Alternativa B
05. (UBC) A Lei de Terras de 1850 garantia que no Brasil:

a) os escravos, após sua libertação, conseguissem um lote de terras para o cultivo de subsistência;
b) os brancos pobres ficassem ligados como meeiros aos grandes proprietários de terras;
c) todas as terras fossem consideradas devolutas e, portanto, colocadas à disposição do Estado;
d) a posse de terra fosse conseguida mediante compra, excluindo as camadas populares e os imigrantes europeus da possibilidade de adquiri-la.
e) n.d.a.
Alternativa D
06. (UNIFENAS) A Questão Christie refere-se a:

a) Aliança entre Brasil, Argentina e Uruguai.
b) Atritos entre a Inglaterra e diversos países  da América Latina.
c) Aliança da Inglaterra com a Argentina contra o Brasil.
d) Atritos entre a Inglaterra, Argentina e Uruguai.
e) Atritos diplomáticos entre Inglaterra e Brasil.
Alternativa E
07. (UBC) Na Guerra do Paraguai (1865 – 1870), o Brasil teve como aliados:

a) Bolívia e Peru
b) Uruguai e Argentina
c) Chile e Uruguai
d) Bolívia e Argentina
e) n.d.a.
Alternativa B

08. (FGV) “Será o suplício da Constituição, uma falta de consciência e de escrúpulos, um verdadeiro roubo, a naturalização do comunismo, a bancarrota do Estado, o suicídio da Nação.”
No texto acima, o deputado brasileiro Gaspar de Silveira Martins está criticando:

a) a proposta de Getúlio Vargas de reduzir a remessa de lucros;
b) o projeto da Lei dos Sexagenários, do gabinete imperial da Dantas;
c) o projeto de legalizar o casamento dos homossexuais, de Marta Suplicy;
d) a proposta de dobrar o salário mínimo, de Roberto de Campos;
e) o projeto de Luís Carlos Prestes de uma “República Sindicalista”.
Alternativa B

09. (FAZU) As estradas de ferro brasileiras, no Segundo Reinado, concentravam-se, sobretudo, nas regiões de produção:

a) do fumo
b) do milho
c) do cacau
d) do café
e) do feijão
Alternativa D
10. (FESP) Assinale a alternativa que não contém uma característica referente ao período do Segundo Reinado (1845 – 1889):

a) fim do tráfico negreiro;
b) elaboração da primeira Constituição brasileira;
c) domínio do café no quadro das exportações brasileiras;
d) início da propaganda republicana;
e) participação na Guerra do Paraguai.
Alternativa B

SEGUNDO REINADO

Posted: January 2, 2014 in Segundo - Ensino Médio

SEGUNDO REINADO

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O Segundo Reinado é a fase da História do Brasil que corresponde ao governo de D. Pedro II. Teve início em 23 de julho de 1840, com a mudança na Constituição que declarou Pedro de Alcântara maior de idade com 14 anos e, portanto, apto para assumir o governo. O 2º Reinado terminou em 15 de novembro de 1889, com a Proclamação da República.
O governo de D. Pedro II, que durou 49 anos, foi marcado por muitas mudanças sociais, política e econômicas no Brasil.
A política no Segundo Reinado foi marcada pela disputa entre o Partido Liberal e o Conservador. Estes dois partidos defendiam quase os mesmos interesses, pois eram elitistas. Neste período o imperador escolhia o presidente do Conselho de Ministros entre os integrantes do partido que possuía maioria na Assembleia Geral. Nas eleições eram comuns as fraudes, compras de votos e até atos violentos para garantir a eleição.
Quando assumiu o império a Revolução Farroupilha estava em pleno desenvolvimento. Havia uma grande possibilidade da região sul conseguir a independência do restante do país. Para evitar o sucesso da revolução, D.Pedro II nomeou o barão de Caxias como chefe do exército. Em 1845, obteve sucesso através do Tratado de Poncho Verde e conseguiu colocar um fim na Revolução Farroupilha.

Revoltas do período:
A Revolução Praieira foi uma revolta liberal e federalista que ocorreu na província de Pernambuco, entre os anos de 1848 e 1850. Dentre as várias revoltas ocorridas durante o Brasil Império, esta foi a última. Ganhou o nome de praieira, pois a sede do jornal dirigido pelos liberais revoltosos (chamados de praieiros) situava-se na Rua da Praia.
Guerra do Paraguai: Conflito armado em que o Paraguai enfrentou a Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai) com apoio da Inglaterra. Durou entre os anos de 1864 e 1879 e levou o Paraguai a derrota e a ruína.
Outro fato importante no segundo reinado foi o ciclo do café, na segunda metade do século XIX, o café tornou-se o principal produto de exportação brasileiro, sendo também muito consumido no mercado interno. Os fazendeiros (barões do café), principalmente paulistas, fizeram fortuna com o comércio do produto. As mansões da Avenida Paulista refletiam bem este sucesso. Boa parte dos lucros do café foi investida na indústria, principalmente nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, favorecendo o processo de industrialização do Brasil.

Crise do Império:
Teve início na década de 1880. Algumas questões e fatos nos ajudam a entender o motivo da decadência do império de Dom Pedro:
* Interferência de D.Pedro II em questões religiosas, (gerando um descontentamento nas lideranças da Igreja);
*Críticas e oposição feitas por integrantes do Exército Brasileiro, que mostravam-se descontentes com a corrupção existente na corte. Além disso, os militares estavam insatisfeitos com a proibição, imposta pela Monarquia, pela qual os oficiais do Exército não podiam dar declarações na imprensa sem uma prévia autorização do Ministro da Guerra;
* A classe média brasileira desejava mais liberdade e maior participação nos assuntos políticos do país. Identificada com os ideais republicanos, esta classe social passou a apoiar a implantação da República no país;
*Falta de apoio dos proprietários rurais, principalmente dos cafeicultores do Oeste Paulista, que desejavam obter maior poder político, já que tinham grande poder econômico.
Fim da Monarquia e a Proclamação da República
Em 15 de novembro de 1889, o Marechal Deodoro da Fonseca, com o apoio dos republicanos, destituiu o Conselho de Ministros e seu presidente. No final do dia, Deodoro da Fonseca assinou o manifesto proclamando a República no Brasil e instalando um governo provisório.
No dia 18 de novembro, D.Pedro II e a família imperial brasileira viajaram para a Europa. Era o começo da República Brasileira com o Marechal Deodoro da Fonseca assumindo, de forma provisória, o cargo de presidente do Brasil.

1. (Uespi 2012) Vez por outra, nos defrontamos com notícias sobre a escravização de trabalhadores/as em diversas regiões do Brasil, prática coibida pelo Direito e pela Justiça. Mas nem sempre foi assim. A escravidão como sistema de trabalho legal no Brasil apenas extinguiu-se em 1888, pela promulgação da Lei Áurea, embora o processo de libertação dos escravos tenha sido também pontuado por outras leis, como:
a) a Lei do Ventre Livre, de 1871, que libertava os filhos de escravos nascidos no Brasil a partir daquela data, e pela qual se obrigava também o proprietário a sustentá-los até os oitos anos de idade.
b) a Lei dos Sexagenários, que obrigava os proprietários a libertar, de imediato, aqueles escravos que tivessem sessenta ou mais anos de idade, recebendo, para tanto, uma indenização.
c) a Lei Saraiva Cotegipe, que extinguia o tráfico negreiro, tanto ao nível internacional como entre as províncias brasileiras, favorecendo a contratação de trabalhadores livres.
d) a Lei de Terras, de 1850, pela qual o governo imperial distribuiu entre ex-escravos lotes de terras devolutas para o cultivo do café na região do Parnaíba do Sul.
e) a Lei Eusébio de Queirós, que obrigava os proprietários a prover o sustento dos seus ex-escravos maiores de sessenta e cinco anos.

2. (Cesgranrio) A Proclamação da República, em 1889, está ligada a um conjunto de transformações econômicas, sociais e políticas ocorridas no Brasil, a partir de 1870, dentre as quais se inclui:
a) a universalização do voto com a reforma eleitoral de 1881, efetivada pelo Partido Liberal.
b) o desenvolvimento industrial do Rio de Janeiro e de São Paulo, criando uma classe operária combativa.
c) a progressiva substituição do trabalho escravo, culminando com a Abolição em 1888.
d) a concessão de autonomia provincial, que enfraqueceu o governo imperial.
e) o enfraquecimento do Exército, após as dificuldades e os insucessos durante a Guerra do Paraguai.

3. (Fatec) “O negro não só é o trabalhador dos campos, mas também o mecânico, não só racha a lenha e vai buscar água, mas também, com a habilidade de suas mãos, contribui para fabricar os luxos da vida civilizada. O brasileiro usa-o em todas as ocasiões e de todos os modos possíveis…”
(Thomaz Nelson – 1846)

Com relação à utilização do trabalho escravo na economia brasileira do século XIX, é correto afirmar:
a) com a independência de 1822, a sociedade escravista se modificou profundamente, abrindo espaços para uma produção industrial voltada para o mercado interno.
b) a utilização do negro africano na economia colonial brasileira gerou um grande conflito entre os vários proprietários de terras que mantinham o monopólio de utilização do braço indígena.
c) devido a sua indolência e incapacidade física, o índio brasileiro não se adaptou ao trabalho escravo.
d) a utilização de ferramentas e máquinas foi muito restrita na sociedade escravista; com isso, o escravo negro foi o elemento principal de toda a atividade produtiva colonial.
e) a abolição da escravidão, em 1888, deve-se principalmente à resistência dos escravos nos quilombos e às idéias abolicionistas dos setores mercantis.

4. (Fatec) Em 4 de setembro de 1850, foi sancionada no Brasil a Lei Eusébio de Queirós (ministro da Justiça), que abolia o tráfico negreiro em nosso país. Em decorrência dessa lei, o governo imperial brasileiro aprovou outra, “a Lei de Terras”.
Dentre as alternativas a seguir, assinale a correta.
a) A Lei de Terras facilitava a ocupação de propriedades pelos imigrantes que passaram a chegar ao Brasil.
b) A Lei de Terras dificultou a posse das terras pelos imigrantes, mas facilitou aos negros libertos o acesso a elas.
c) O governo imperial, temendo o controle das terras pelo coronéis, inspirou-se no “Act Homesteade” americano, para realizar uma distribuição de terras aos camponeses mais pobres.
d) A Lei de Terras visava a aumentar o valor das terras e obrigar os imigrantes a vender sua força de trabalho para os cafeicultores.
e) O objetivo do governo imperial, com esta lei, era proteger e regularizar a situação das dezenas de quilombos que existiam no Brasil.

5. (Fuvest) Durante o Império, a economia brasileira foi marcada por sensível dependência em relação à Inglaterra e a outros países europeus. Essa situação foi alterada em 1844 com:
a) a substituição do livre-cambismo por medidas protecionistas, através da Tarifa Alves Branco.
b) a criação da Presidência do Conselho de Ministros, que fortaleceu a aristocracia rural.
c) a aprovação da Maioridade, que intensificou as relações econômicas com os Estados Unidos.
d) a eliminação do tráfico de escravos e a conseqüente liberação de capitais para novos investimentos.
e) o estabelecimento do Convênio de Taubaté com a intervenção do Estado na economia.

6. (Fuvest) O descontentamento do Exército, que culminou na Questão Militar no final do Império, pode ser atribuído:
a) às pressões exercidas pela Igreja junto aos militares para abolir a monarquia.
b) à propaganda do militarismo sul-americano na imprensa brasileira.
c) às tendências ultrademocráticas das forças armadas, que desejavam conceder maior participação política aos analfabetos.
d) à ambição de iniciar um programa de expansão imperialista na América Latina.
e) à predominância do poder civil que não prestigiava os militares e lhes proibia o debate político pela imprensa.

7. (Fuvest) “Naquela época não tinha maquinaria, meu pai trabalhava na enxada. Meu pai era de Módena, minha mãe era de Capri e ficaram muito tempo na roça. Depois a família veio morar nessa travessa da avenida Paulista; agora está tudo mudado, já não entendo nada dessas ruas”.

Esse trecho de um depoimento de um descendente de imigrante, transcrito na obra MEMÓRIA E SOCIEDADE, de Ecléa Bosi, constitui um documento importante para a análise
a) do processo de crescimento urbano paulista no início do século atual, que desencadeou crises constantes entre fazendeiros de café e industriais.
b) da imigração européia para o Brasil, organizada pelos fazendeiros de café nas primeiras décadas do século XX, baseada em contratos de trabalho conhecidos como “sistema de parceria”.
c) da imigração italiana, caracterizada pela contratação de mão-de-obra estrangeira para a lavoura cafeeira, e do posterior processo de migração e de crescimento urbano de São Paulo.
d) do percurso migratório italiano promovido pelos governos italiano e paulista, que organizavam a transferência de trabalhadores rurais para o setor manufatureiro.
e) da crise na produção cafeeira da primeira década do século XX, que forçou os fazendeiros paulistas a desempregar milhares de imigrantes italianos, acelerando o processo de industrialização.

8. (Fuvest) Há mais de um século, teve início no Brasil um processo de industrialização e crescimento urbano acelerado. Podemos identificar, como condições que favoreceram essas transformações:
a) a crise provocada pelo fim do tráfico de escravos que deu início à política de imigração e liberou capitais internacionais para a instalação de indústrias.
b) os lucros auferidos com a produção e a comercialização do café, que deram origem ao capital para a instalação de indústrias e importação de mão-de-obra estrangeira.
c) a crise da economia açucareira do nordeste que propiciou um intenso êxodo rural e a conseqüente aplicação de capitais no setor fabril em outras regiões brasileiras.
d) os capitais oriundos da exportação da borracha amazônica e da introdução de mão-de-obra assalariada nas áreas agrícolas cafeeiras.
e) a crise da economia agrícola cafeeira, com a abolição da escravatura, ocasionando a aplicação de capitais estrangeiros na produção fabril.

9. (Fuvest) Nas atas dos debates parlamentares e nos jornais brasileiros da década de 1850, encontram-se muitas referências, positivas ou negativas, à Inglaterra.   Estas últimas, em geral, devem-se à irritação provocada em setores da sociedade brasileira por pressões exercidas pelo governo inglês para:
a) diminuir gradativamente a utilização de escravos na agricultura de exportação.
b) dar ao protestantismo o mesmo status de religião oficial que tinha o catolicismo.
c) impedir o julgamento por tribunais brasileiros de um oficial inglês que assassinou um cidadão brasileiro.
d) a extinção do tráfico de escravos, tendo seus objetivos sido alcançados em 1850.
e) subordinar a política externa brasileira a interesses Ingleses na África a na Ásia.

10. (Mackenzie) Sobre o parlamentarismo praticado durante quase todo o Segundo Reinado e a atuação dos partidos Liberal e Conservador, podemos afirmar que:
a) ambos colaboraram para suprimir qualquer fraude nas eleições e faziam forte oposição ao centralismo imperial.
b) as divergências entre ambos impediram períodos de conciliação, gerando acentuada instabilidade no sistema parlamentar.
c) organizado de baixo para cima, o parlamentarismo brasileiro chocou-se com os partidos Liberal e Conservador de composição elitista.
d) Liberal e Conservador, sem diferenças ideológicas significativas, alternavam-se no poder, sustentando o parlamentarismo de fachada, manipulado pelo imperador.
e) os partidos tinham sólidas bases populares e o parlamentarismo seguia e praticava rigidamente o modelo inglês.

O Brasil e a América Latina na Era do Neoliberalismo e da Globalização

– Governo Fernando Henrique

O governo presidencial de dois mandatos, 1º mandato (1994-1997) e 2º mandato (1998-2002), de Fernando Henrique Cardoso foi marcado pela efetiva implantação da política Neoliberal no Brasil.
Sua vida política teve início no ano de 1978, quando foi eleito suplente do Senador paulista Franco Montoro, no ano de 1983 assumiu o senado quando Franco Montoro foi eleito governador do estado de São Paulo. Perdeu as eleições para a prefeitura de São Paulo para Jânio Quadros no ano de 1985, mas em 1986 foi eleito senador por São Paulo.
Fernando Henrique Cardoso foi um dos fundadores do Partido Social Democrático Brasileiro (PSDB). No primeiro ano do mandato do presidente Itamar Franco, Fernando Henrique assumiu o Ministério das Relações Exteriores, em 1992, e no ano seguinte foi atribuída a ele a função de Ministro da Fazenda. Nesta pasta realizou uma reforma monetária na economia brasileira que vivia sucumbida pela inflação, o chamado Plano Real.
Em 1993 deixou o Ministério da Fazenda e lançou sua candidatura à presidência da República pelo PSDB, seu principal adversário foi Luiz Inácio Lula da Silva, que concorria à presidência pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Lula era o favorito à presidência. Fernando Henrique Cardoso ganhou as eleições e assumiu a pasta presidencial no ano de 1994. Seu principal objetivo durante o primeiro mandato foi o combate à inflação.
No primeiro mandato, mas precisamente no de 1997, FHC (como ficou conhecido) deu continuidade ao processo de reformas estruturais com a finalidade de evitar a volta da inflação, procurando deixar a economia estável. Durante este mandado o presidente pautou pela privatização de várias estatais brasileiras, como a Companhia Vale do Rio Doce (empresa do setor de mineração e siderurgia), a Telebrás (empresa de telecomunicações) e o Banespa (banco pertencente ao governo do estado de São Paulo). A compra das empresas estatais ocorreu, sobretudo, por grupos estrangeiros, que faziam aquisição das ações ou compravam grande parte dessas, assim, tornavam-se sócios majoritários.
Ainda no ano de 1997, FHC conseguiu enviar e aprovar no Congresso Nacional a emenda da reeleição, tornando-se candidato outra vez à presidência da república e ainda tendo Lula como seu principal adversário. O Plano Real e o controle da inflação continuou sendo sua principal propaganda política, o que favoreceu a FHC mais uma vitória nas urnas, conseguindo a reeleição.
No ano de 1999, FHC assumiu o segundo mandato como presidente do Brasil, neste mandato não houve grandes investimentos nas reformas estruturais (privatizações). Ocorreram, sim, algumas reformas no setor da Educação, sendo aprovadas no ano de 1996 as Leis de Diretrizes e Bases para a Educação (LDB), e posteriormente foram criados os Parâmetros Curriculares para o Ensino Básico.
Ao final do seu segundo mandato (2002), somando oito (8) anos no poder, FHC conseguiu controlar a inflação brasileira, entretanto, durante o seu governo a distribuição de renda no Brasil continuou desigual, a renda dos 20% da população rica continuou cerca de 30 vezes maior que a dos 20% da população mais pobre. O Brasil ficou em excessiva dependência do Fundo Monetário Internacional (FMI). O governo FHC foi responsável pela efetiva inserção do Brasil na política Neoliberal.
FHC deixou a presidência no dia 1 de janeiro de 2003, e quem a assumiu foi Luiz Inácio Lula da Silva.

– Governo Lula

O Partido dos Trabalhadores, valendo-se da trajetória política junto às casses trabalhadoras de Luis Inácio Lula da Silva era um dos maiores partidos de oposição da época. Conquistando alguns governos em esfera estadual e municipal tentavam alavancar o antigo desejo de colocar Lula a frente da presidência. Em 2002, o sonho de um mandato popular e de uma nova esperança ao povo brasileiro finalmente colocou o antigo sindicalista no cargo Máximo do Estado brasileiro.
Sentimentos de mudança e transformação tomavam conta das expectativas em torno daquele novo presidente. No entanto, percebemos que o tom da esquerda que chegou ao poder em 2003 era bem mais reformista do que revolucionário. No plano econômico, Lula deu continuidade a diversas posturas anteriormente adotadas no governo FHC. A escolha de um oposicionista frente ao Banco Central foi o mais claro tom dessa política continuísta.
As medidas conservadoras na economia também dividiram espaço com os programas sociais de seu governo. Diversos programas assistencialistas e a criação de bolsas aos mais necessitados sustentavam o caráter popular do governo Lula. Os mais exaltados chegavam a acusá-lo de populismo. Em meio a tantas expectativas, o governo parecia buscar a rota do desenvolvimento sem que para isso tivesse que adotar medidas de grande impacto.
Os setores políticos mais a esquerda, já no primeiro mandato, começavam a manifestar a sua frustração. Petistas históricos como Heloísa Helena e João Batista Babá afastaram-se do governo ao perceber as negociações e manobras políticas do governo junto aos setores de oposição. A aparência dúbia do governo Lula, ainda assim, não provocou nenhum tipo de entrave político maior.
Nos eventos entre os grandes lideres de Estado, o presidente Lula destacava-se por sua articulação política e sua defesa pelos países em desenvolvimento. Além disso, a diplomacia tentou abrir portas para o pais junto a grandes organismos internacionais como a ONU. O envio de tropas brasileiras à regiões de conflito (Haiti e Timor Leste) e a realização de competições internacionais (Pan-Americano) são ações que visam dar uma imagem positiva no cenário internacional.
Todo esse raio de ação do governo parecia colocar o governo Lula como um mediador entre os interesses antagônicos dos diversos setores da nossa sociedade. Em 2005, uma serie de escândalos políticos pareciam colocar em risco a estabilidade governamental. O chamado “esquema do mensalao”, que envolvia a compra de votos de deputados no Congresso Nacional, abalou antigas bandeiras e perspectivas políticas daqueles que defendiam o governo Luis Inácio Lula da Silva.
Mesmo que os escândalos de corrupção não fossem nenhuma novidade em nossa história, a existência dos mesmos entre integrantes do PT, até então considerado um dos últimos bastiões da ética política no país, causou um amplo debate político. Muitos analistas e críticos diziam que a corrupção no governo Lula representou o ocaso do projeto político das esquerdas no Brasil. A sociedade, ao assistir tais denúncias, parecia colocar a classe política em total e definitivo descrédito. Nas eleições de 2006, Lula garantiu mais um mandato na política assistencialista e na estabilidade econômica do país.

– Nicarágua
Por volta da década de 1920, o camponês Augusto César Sandino iniciou a formação de um grupo revolucionário determinado a dar fim à intervenção imperialista em seu país. Entre outros pontos, Sandino defendia a realização de um projeto de distribuição de terras e saída dos militares americanos que ocupavam o território nicaragüense. Dessa maneira, os partidários de Sandino participaram de movimentos de guerrilha que atuaram no país entre 1926 e 1933.
Após conseguir a saída das tropas estadunidense do país, Sandino aceitou assinar um acordo onde concordava em depor das armas mediante a preservação da soberania de seu país. A opção pela pacificação política permitiu que militares liderados por Anastásio Somoza Garcia empreendessem o assassinato do líder revolucionário e instalassem um governo ditatorial alinhado aos interesses norte-americanos. Entre as décadas de 1930 e 1970, a família Somoza controlou os ditames da vida política nicaragüense.
Contudo, em 1961, um novo movimento guerrilheiro foi formado com o objetivo de acabar com a ingerência estrangeira e a opressão ditatorial. A partir da reunião de líderes, como Tomás Borge, Carlos Fonseca e Carlos Mayorga, fundou-se a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN). Seus partidários passaram a formar sindicatos, abrir escolas de alfabetização e organizar focos em favor do seu projeto de natureza socialista.
No início de 1978, uma guerra civil tomou conta do país após a morte do jornalista Pedro Joaquín Chamorro, que participava ativamente contra a ditadura da família Somoza. Por meio de batalhas contra as forças governistas, a FSLN conseguiu dominar o Palácio Nacional de Manágua, na capital do país. Chegando ao poder por meio da formação da Direção Nacional da Frente Sandinista de Libertação Nacional, o novo governo representado por Daniel Ortega prometeu dar fim às mazelas que tomavam o país.
No plano político interno, os sandinistas promoveram uma aproximação com as nações do bloco socialista. Além disso, prometiam um amplo processo de desapropriação onde o Estado controlaria as terras e as demais forças produtivas do país. O projeto radical oferecido pelos sandinistas acabou não só incomodando os interesses do bloco capitalista, bem como de porções heterogêneas da população nicaragüense. Dessa maneira, a partir de 1981, formou-se uma ação contra-revolucionária no país.
Os oponentes do governo sandinista, popularmente conhecidos como “Contras”, tiveram o apoio financeiro dos Estados Unidos e de membros da alta cúpula católica do país. Durante toda a década de 1980, o governo sandinista enfrentou uma grave crise econômica que ampliou as forças oposicionistas e colocou a Nicarágua à beira do caos. Em 1990, a crise acabou configurando uma derrota eleitoral dos sandinistas e a eleição de Violeta Chamorro.
Somente após uma seqüência de governos de tendência neoliberal e conservadora, os sandinistas se fortaleceram politicamente com as permanências dos problemas que afligiam a população. Em 2007, Daniel Ortega voltou à presidência com um discurso político moderado e com o apoio declarado dos norte-americanos. Hoje, o histórico líder da revolução de 1979 tem de enfrentar o atraso tecnológico, a inflação, o desemprego e a dívida externa que corroem a Nicarágua.

– Argentina
A partir de 1946 a Argentina passa a ser governada pelo presidente populista Juan Domingos Perón, em um período de ouro para o povo argentino. Em 1955 Péron foi deposto e exilado por um golpe militar, sendo que retornou a Argentina e ao poder em 1973, governando por um breve período até a sua morte. Tão carismática quanta Perón, sua esposa Isabelita Perón assumiu seu lugar, mas foi obrigada pelos militares a renunciar em 1976, instalando-se novamente uma ditadura no país.
Após sucessivos golpes, governos militares, e dezenas de mortos e desaparecidos políticos (os considerados subversivos), em 1983 a Argentina volta a ser uma democracia, com a eleição do presidente Raul Afonsin. Em 1989 Afonsin renunciou em favor ao presidente eleito Carlos Menem, que permaneceu na presidência por dois mandatos consecutivos, até 1999.
Fernando de La Rua foi eleito para o lugar de Menem. Os cortes e ajustes que Fernando de La Rua fez na tentativa de evitar a crise econômica acabaram gerando grande insatisfação popular e várias greves, o que foi o motivo de sua renúncia. No ápice da crise, em duas semanas a Argentina chegou a ter cinco presidentes. O mandato provisório de Eduardo Duhalde durou até 25 de maio de 2003, quando Nestor Kirchner, eleito pelo povo, assumiu a presidência.
A sucessora de Nestor Kirchner, atual presidente da Argentina é Cristina Kirchner, sua esposa.

– Bolívia
No início da década de 90, o país adotou o liberalismo econômico, privatizou as minas e diversas empresas públicas. Ainda assim, a instabilidade social e econômica continuou. O descontentamento da população perante o governo prosseguiu.
A partir do ano 2.000, o povo boliviano lutou contra a privatização das águas de Cochabamba, a favor do plantio de coca, contra os impostos que o governo queria cobrar dos salários e a favor da nacionalização do gás. Tudo isso culminou com a queda do regime do presidente Lozada e com a tomada de La Paz pela população indígena.
Assim, em 2.005, Evo Morales Aima torna-se presidente da Bolívia através de eleições diretas.

– Venezuela
Até 1498 a região era habitada por índios caraíbas e arauaques, quando Cristóvão Colombo chegou à região. Os espanhóis passaram a explorar a colônia a partir do século XVIII, fazendo a utilização de mão-de-obra escrava africana para plantar cacau e café. A independência foi obtida em 1819 sob a liderança de Simon Bolívar.
Passou a fazer parte da Grã-Colômbia ( Equador, Panamá, Venezuela e Colômbia). Sua retirada da federação se deu em 1830. Após o governo do general José Antônio Paez, quase um século de ditadura, guerras civis e disputas nas fronteiras. A descoberta das grandes jazidas de petróleo se deu no inicio do século XX. As primeiras eleições presidenciais se deu apenas após a construção de 1947.
A legalização dos partidos de esquerda e a pacificação da nação após dez anos de guerrilhas, foram feitos do então presidente eleito em 1969, Rafael Caldera. No fim da década de 80, tiveram grandes levantes populares, derivados da corrupção no governo e pelas medidas adotadas para combater a crise econômica. Um grupo de militares tentou derrubar o presidente Andrés Pérez em 1992, mas fracassaram.
Aproximadamente mil militares foram presos incluindo o coronel Hugo Chávez (fundador do movimento nacionalista). Em 1993 Pérez foi afastado devido a acusações sobre o desvio de 17 milhões do governo. No ano de 1998, Hugo Chávez anistiado, foi eleito presidente, as medidas apresentadas por chávez conquistaram o apoio da população mais pobre, no entanto desagradaram os empresários.
A partir de 2001 Hugo Chávez começou a perder apoio político dentro do país. Em 2002 foi iniciada uma greve geral. Já no dia 12, golpistas nomeou o representante dos empresários, Pedro Carmona, novo presidente. Milhares de partidários de chávez saídos dos bairros populares tomaram o centro da capital. Comandantes se rebelaram e pressionaram Carmona, que abandonou o palácio.
Com isso Chávez retomou seu posto em 14 de abril. Após isso surgiram vários conflitos, um principio de guerra civil, o que desestabilizou a economia venezuelana, e que afetou diretamente os EUA tendo em vista que é o principal importador do petróleo do país. Isso fez com que os EUA pressionassem oposição venezuelana para que fizesse um acordo com Chávez.
Em 2003 decidiram fazer uma votação popular para definir se o presidente continuaria ou não no poder, após uma serie de discussão entre o governo e oposição, 15 de agosto de 2004 foi realizado o referendo. Que manteve Chávez no poder com 59% dos votos.

Filmes

– O Brasil deu certo, e agora?

O Brasil Deu Certo. E Agora? é mais do que um título. Trata-se de uma afirmação seguida de um questionamento. O problema é que, aparentemente, os responsáveis pela definição do título fizeram sua escolha tendo em vista apenas o joguinho de palavras e não o tema deste documentário, que não dá elementos para dizer porque o Brasil deu certo e também não reflete de forma eficaz sobre o que deve ser feito.

– Lula: O filho do Brasil

1945, sertão de Pernambuco. Menos de um mês após Aristides (Milhem Cortaz) partir para São Paulo com uma mulher bem mais nova, dona Lindu (Glória Pires) dá a luz ao seu sétimo filho: Luiz Inácio da Silva, que logo ganha o apelido de Lula. Sem ter a quem recorrer, Lindu cuida da família sozinha. Três anos depois Aristides retorna, acompanhado de Sebastiana, sua filha. Uma semana depois ele parte mais uma vez, deixando o bebê e levando consigo Jaime (Maicon Gouveia), o segundo filho mais velho. Durante a seca de 1952 a família recebe uma carta de Aristides, chamando-a para viver com ele em São Paulo. Lindu vende tudo o que tem e viaja para São Paulo, junto com os filhos. Ao chegar descobre que a carta era falsa. Quem a escreveu foi Jaime, que já não aguentava mais os maus tratos do pai. A família passa a viver em Santos, onde Aristides vivia com outra mulher e trabalhava como estivador. Vivendo em condições precárias, a família ainda precisa lidar com a crescente violência de Aristides.

Questões

1.(Puc) A vitória de Fernando Henrique Cardoso nas eleições presidenciais de 1994 teve como fator decisivo a
a) adoção de uma política eficaz de controle da natalidade, visando a conscientizar parcela da população menos favorecida.
b) redução da criminalidade no campo, devido ao programa de reforma agrária que prevê tolerância em relação à invasão de terras improdutivas no país.
c) política externa de importação de produtos do Mercosul, com o objetivo de reduzir as taxas alfandegárias, resultando em preços mais atrativos no mercado brasileiro.
d) implantação do Plano Real, que criou uma moeda estável no país após décadas de inflação.
e) queda do desemprego devido à adoção do piano de estatização e intervenção reguladora do Estado na economia.
Resposta: D

2. (Uff 2012) Em outubro de 1994, embalado pelo sucesso do Plano Real, Fernando Henrique Cardoso foi eleito Presidente da República. Em seu discurso de despedida do Senado, se comprometia a acabar com o que denominava “Era Vargas”: “(…) Eu acredito firmemente que o autoritarismo é uma página virada na história do Brasil. Resta, contudo, um pedaço do nosso passado político que ainda atravanca o presente e retarda o avanço da sociedade. Refiro-me ao legado da Era Vargas.” (14/12/1994)

O presidente eleito governou o Brasil por dois mandatos, iniciando a consolidação da política neoliberal no país, principiada pelos presidentes ColIor e Itamar Franco. Sobre os dois mandatos (1995-2002), pode-se afirmar que se caracterizam
a) pela manutenção do poder aquisitivo dos que se aposentavam; estabelecimento do monopólio nacional sobre as telecomunicações, através das empresas estatais; e nacionalização do sistema financeiro.
b) pelo elevado crescimento econômico, com média anual de cerca de 5% ao ano; grande investimento em infraestrutura e educação; distribuição de renda; e aumento da capacidade econômica do Estado.
c) pela política social de inclusão, com a criação da Bolsa Família; facilitação do ingresso de carentes na Universidade; restrição aos investimentos estrangeiros; e elevados incentivos à agricultura familiar.
d) pelo rompimento com a política econômica originada pelo “Consenso de Washington”; consolidação do sistema financeiro estatal; e reforço da legislação trabalhista gestada na primeira metade do século XX.
e) pelo limitado crescimento econômico; privatização das empresas estatais; diminuição do tamanho do Estado; e apagão energético, que levou ao racionamento e ao aumento do custo da energia.
Resposta: E

3. (UFMG)Na história da República brasileira, a eleição de Lula foi um fato inédito em decorrência:
a) de haver setores do exército nacional interessados em realizar um golpe para impedir sua posse.
b) de ter sido ele um grande intelectual acadêmico, criando grandes esperanças no desenvolvimento econômico e cultural do país.
c) de ter sido ele o primeiro operário, membro de um partido de esquerda, a governar o país.
d) de ter conseguido se eleger em sua primeira tentativa de concorrer ao cargo.
e) de ter sido o único candidato a prometer acabar com a desigualdade no Brasil.
Resposta: C

4. (Vunesp-SP) Um conjunto de normas mais ou menos semelhantes se impôs na Argentina após 1976, no Uruguai e no Chile, depois de 1973, na Bolívia quase ininterruptamente, no Peru de 1968 até 1979, no Equador, de 1971 a 1978. (Clóvis Rossi)
Assinale a alternativa que melhor expressa o conjunto de normas de exceção que marcaram a trajetória político-institucional dos países latino-americanos indicados no texto.
a) Dissolução de partidos e sindicatos, com o objetivo de estabelecer uma nova ordem democrática e popular.
b) Domínio político das organizações guerrilheiras.
c) Extinção dos partidos políticos, intervenção nos sindicatos e suspenção das eleições diretas.
d) Política externa alinhada automaticamente à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas e ao bloco do Leste.
e) Formação de uma frente parlamentar, para revisão constitucional

Resposta: C

5. (Cesgranrio) A eleição de Salvador Allende em 1970 no Chile constitui-se num acontecimento específico atípico no panorama geral da América Latina.
Sua política de governo se caracterizou por ser:
a) nacionalista, com exclusão de membros da Guarda Nacional – bastião de poder no governo anterior.
b) liberal, com livre importação de produtos manufaturados.
c) isolacionista no contexto continental, com pressões militares e econômicas por parte dos Estados Unidos.
d) democrática, com amplo respaldo popular e de grupos esquerdistas cristãos.
e) reformista, com privatizações dos bancos estatais e manutenção da reforma agrária iniciada anteriormente.
Resposta: D

O Neoliberalismo e a Globalização

Neoliberalismo

Embora o termo tenha sido cunhado  em 1938 pelo sociólogo e economista alemão Alexander Rüstow, o Neoliberalismo só ganharia efetiva aplicabilidade e reconhecimento na segunda metade do século XX, especialmente a partir da década de 1980. Nesta época, houve um grande crescimento da concorrência comercial, muito em função da supremacia que o capitalismo demonstrava conquistar sobre o sistema socialista. Mesmo ainda no decorrer da Guerra Fria, as características do conflito já eram muito diferenciadas das existentes nos anos imediatamente posteriores ao fim da Segunda Guerra Mundial. A União Soviética já havia se afundado em uma grave crise que apontava para o seu fim inevitável. Enquanto isso, o capitalismo consolidava-se como sistema superior e desfrutava de maior liberdade para determinar as regras do jogo econômico.
O crescimento comercial foi notório e, para enfrentar a concorrência, medidas foram tomadas no Reino Unido e nos Estados Unidos. As principais características dessas medidas foram a redução dos investimentos na área social, ou seja, no que se refere à educação, saúde e previdência social. Ao mesmo tempo, adotou-se como prática também a privatização das empresas estatais, o que se aliou a uma perde de poder dos sindicatos. Passou-se a defender um modelo no qual o Estado não deveria intervir em nada na economia, deixando-a funcionar livremente. Ou seja, considerando-se as características do novo momento, uma releitura da forma clássica do Liberalismo.
O Neoliberalismo ganharia força e visibilidade com o Consenso de Washington, em 1989. Na ocasião, a líder do Reino Unido, Margareth Thatcher, e o presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, propuseram os procedimentos do Neoliberalismo para todos os países, destacando que os investimentos nas áreas sociais deveriam ser direcionados para as empresas. Esta prática, segundo eles, seria fundamental para movimentar a economia e, consequentemente, gerar melhores empregos e melhores salários. Houve ainda uma série de recomendações especialmente dedicadas aos países pobres, as quais reuniam: a redução de gastos governamentais, a diminuição dos impostos, a abertura econômica para importações, a liberação para entrada do capital estrangeiro, privatização e desregulamentação da economia.
O objetivo do Consenso de Washington foi, em certa medida, alcançado com sucesso, pois vários países adotaram as proposições feitas. Só que muitos países não tinham condições de arcar com algumas delas, o que gerou uma grande demanda de empréstimos ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Logo, criava-se todo um sistema de privilégios para os países desenvolvidos, pois as medidas neoliberais eram implementadas sob o monitoramento do FMI e toda essa abertura econômica favorecia claramente aos países ricos, capazes de comprar as empresas estatais e de investir dinheiro em outros mercados. Por outro lado, o argumento de defesa do Neoliberalismo diz que a abertura econômica é benéfica porque força à modernização das empresas. Entretanto, é preciso lembrar que muitas dessas empresas não tinham condições de se modernizar com tamanha rapidez e com tanto investimento, o que resultou em muitos empréstimos, incapacidade de pagamento, dívidas em crescimento, falência e, por sim, desemprego.
No Brasil, o Neoliberalismo foi adotado abertamente nos dois governos consecutivos do presidente Fernando Henrique Cardoso. Em seus dois mandatos presidenciais houve várias privatizações de empresas estatais. Muito do dinheiro arrecadado foi usado para manter a cotação da nova moeda brasileira, o Real, equivalente a do dólar. Assim, o Brasil passou pelo mesmo processo de venda de estatais, falências e desemprego.

Globalização

A globalização é um fenômeno social que ocorre em escala global. Esse processo consiste em uma integração em caráter econômico, social, cultural e político entre diferentes países.
A globalização é oriunda de evoluções ocorridas, principalmente, nos meios de transportes e nas telecomunicações, fazendo com que o mundo “encurtasse” as distâncias. No passado, para a realização de uma viagem entre dois continentes eram necessárias cerca de quatro semanas, hoje esse tempo diminuiu drasticamente. Um fato ocorrido na Europa chegava ao conhecimento dos brasileiros 60 dias depois, hoje a notícia é divulgada em tempo real.
O processo de globalização surgiu para atender ao capitalismo e, principalmente, os países desenvolvidos; de modo que pudessem buscar novos mercados, tendo em vista que o consumo interno encontrava-se saturado.
A globalização é a fase mais avançada do capitalismo. Com o declínio do socialismo, o sistema capitalista tornou-se predominante no mundo. A consolidação do capitalismo iniciou a era da globalização, principalmente, econômica e comercial.
A integração mundial decorrente do processo de globalização ocorreu em razão de dois fatores: as inovações tecnológicas e o incremento no fluxo comercial mundial.
As inovações tecnológicas, principalmente nas telecomunicações e na informática, promoveram o processo de globalização. A partir da rede de telecomunicação (telefonia fixa e móvel, internet, televisão, aparelho de fax, entre outros) foi possível a difusão de informações entre as empresas e instituições financeiras, ligando os mercados do mundo.
O incremento no fluxo comercial mundial tem como principal fator a modernização dos transportes, especialmente o marítimo, pelo qual ocorre grande parte das transações comerciais (importação e exportação). O transporte marítimo possui uma elevada capacidade de carga, que permite também a mundialização das mercadorias, ou seja, um mesmo produto é encontrado em diferentes pontos do planeta.
O processo de globalização estreitou as relações comerciais entre os países e as empresas. As multinacionais ou transnacionais contribuíram para a efetivação do processo de globalização, tendo em vista que essas empresas desenvolvem atividades em diferentes territórios.
Outra faceta da globalização é a formação de blocos econômicos, que buscam se fortalecer no mercado que está cada vez mais competitivo.

Filmes
-Dama de Ferro

Antes de se posicionar e adquirir o status de verdadeira dama de ferro na mais alta esfera do poder britânico, Margaret Thatcher (Meryl Streep) teve que enfrentar vários preconceitos na função de primeiro-ministra do Reino Unido em um mundo até então dominado por homens. Durante a recessão econôminica causada pela crise do petróleo no fim da década de 70, a líder política tomou medidas impopulares, visando a recuperação do país. Seu grande teste, entretanto, foi quando o Reino Unido entrou em conflito com a Argentina na conhecida e polêmica Guerra das Malvinas.

– A rede social

Em uma noite de outono em 2003, Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg), analista de sistemas graduado em Harvard, se senta em seu computador e começa a trabalhar em uma nova ideia. Apenas seis anos e 500 milhões de amigos mais tarde, Zuckerberg se torna o mais jovem bilionário da história com o sucesso da rede social Facebook. O sucesso, no entanto, o leva a complicações em sua vida social e profissional.

1. (Pucsp 2012) “Quatro grandes desafios da ‘regionalização’ [MERCOSUL, p. ex.]: 1. Limitar a erosão a que está sendo submetido o Estado, mediante a recuperação da capacidade de regulação; 2. Recuperar o papel da acumulação capitalista nacional (privada e estatal), em relação à acumulação mundializada (corporações transnacionais) […] para o desenvolvimento nacional; 3. Fortalecer o papel do setor privado nacional, com o propósito de que este se converta no ator modernizador, dinâmico e transformador […]; 4. Reverter as condições estruturais de subdesenvolvimento e enfrentar as tendências objetivas negativas da globalização.”
(Raúl BERNAL-MEZA. America del Sur en el sistema mundial hacia el siglo XXI
[América do Sul no sistema mundial, no século XXI].  In: LIMA, Marcos Costa (org.).
O lugar da América do Sul na nova ordem mundial.
São Paulo: Cortez Editora, 2001. p. 35)

Tendo como referência o texto e a relação do processo de integração regional com o processo de globalização pode ser dito que
a) não existe incompatibilidade entre os dois processos, e que, embora haja por vezes alguma contradição, os dois processos são, na essência, complementares.
b) o caminho para a superação do subdesenvolvimento é o da associação de capitais nacionais, com capitais de escala global, no âmbito dos mercados regionais integrados.
c) a globalização enfraquece os Estados nacionais e submete os capitais nacionais a regimes competitivos difíceis, o que pode ser combatido com mercados regionais regulamentados.
d) a regulamentação imposta pela globalização tem sido positiva para os Estados nacionais, pois estes estavam se enfraquecendo como gestores econômicos e como referências políticas.
e) a regionalização é uma ação antiglobalização, que termina sendo uma ação antiacumulação do capital, a favor da presença dominante do Estado no processo produtivo.

alternativa C

2. (Ufu 2012) O desenvolvimento científico e tecnológico vem possibilitando, nos últimos anos, o aumento de confiabilidade no tráfego de informações entre pessoas, corporações e governo em todo o mundo. Os satélites artificiais, a telefonia e a informática são os principais exemplos desse desenvolvimento.
Em termos econômicos, esse desenvolvimento é importante porque
a) o incremento tecnológico está sendo lucrativo, principalmente para os países em desenvolvimento, como o Brasil, que consegue atrair para o seu território a instalação de empresas de alta tecnologia, causando sérios prejuízos financeiros aos países sedes.
b) o avanço tecnológico possibilitou a criação do “dinheiro eletrônico” e do “mercado computadorizado”, que funciona 24 horas por dia, movimentando bilhões de dólares no mercado nacional e internacional.
c) o volume de negócios feitos tem crescido de forma significativa em todo planeta, sendo mais lucrativo para as nações menos desenvolvidas que tinham dificuldades para divulgar e comercializar seus produtos.
d) o comércio virtual, considerado o de maior crescimento nos últimos anos no mundo, atualmente vem sendo a forma mais utilizada de compra de produtos que circulam entre países e entre regiões de países capitalistas.

alternativa B

QUEDA DA URSS

Posted: January 2, 2014 in Terceiro - Ensino Médio

Queda da URSS

A queda do governo de Stálin trouxe à tona uma série de transformações que abriu portas para o fim da centralização política promovida pelo stalinismo. No governo de Nikita Kruchev, várias das práticas corruptas e criminosas do regime stalinista foram denunciadas. Depois de seu governo, Leonid Brjnev firmou-se frente a URSS de 1964 a 1982. Depois desse período, Andropov e Constantin Tchernenko assumiram o governo russo.
Nesse período, os problemas gerados pela burocratização do governo soviético foram piorando a situação social, política e econômica do país. O fechamento do país para as nações não-socialistas forçou a União Soviética a sofrer um processo de atraso econômico que deixou a indústria soviética em situação de atraso. Além disso, os gastos gerados pela corrida armamentista da Guerra Fria impediam que a União Soviética fosse capaz de fazer frente às potências capitalistas.
A população que tinha acesso ao ensino superior acabou percebendo que o projeto socialista começava a ruir. As promessas de prosperidade e igualdade, propagandeadas pelos veículos de comunicação estatais, fazia contraste com os privilégios a uma classe que vivia à custa da riqueza controlada pelo governo. Esse grupo privilegiado, chamado de nomenklatura, defendia a manutenção do sistema unipartidário e a centralização dos poderes políticos.
No ano de 1985, o estadista Mikhail Gorbatchev assumiu o controle do Partido Comunista Soviético com idéias inovadoras. Entre suas maiores metas governamentais, Gorbatchev empreendeu duas medidas: a perestroika ( reestruturação) e a glasnost (transparência). A primeira visava modernizar a economia russa com a adoção de medidas que diminuía a participação do Estado na economia. A glasnost tinha como objetivo abrandar o poder de intromissão do governo nas questões civis.
Em esfera internacional, a União Soviética buscou dar sinais para o fim da Guerra Fria. As tropas russas que ocupavam o Afeganistão se retiraram do país e novos acordos econômicos foram firmados junto aos Estados Unidos. Logo em seguida, as autoridades soviéticas pediram auxílio para que outras nações capitalistas fornecessem apoio financeiro para que a nação soviética superasse suas dificuldades internas.
A ação renovadora de Mikhail Gorbatchev criou uma cisão política no interior da União Soviética. Alas ligadas à burocracia estatal e militar faziam forte oposição à abertura política e econômica do Estado soviético. Em contrapartida, um grupo de liberais liderados por Boris Ieltsin defendia o aprofundamento das mudanças com a promoção da economia de mercado e a privatização do setor industrial russo. Em agosto de 1991, um grupo de militares tentou dar um golpe político sitiando com tanques a cidade de Moscou.
O insucesso do golpe militar abriu portas para que os liberais tomassem o poder. No dia 29 de agosto de 1991, o Partido Comunista Soviético foi colocado na ilegalidade. Temendo maiores agitações políticas na Rússia, as nações que compunham a União Soviética começaram a exigir a autonomia política de seus territórios. Letônia, Estônia e Lituânia foram os primeiros países a declararem sua independência. No final daquele mesmo ano, a União Soviética somente contava com a integração do Cazaquistão e do Turcomenistão.
No ano de 1992, o governo foi passado para as mãos de Boris Ieltsin. Mesmo implementando diversas medidas modernizantes, o governo Ieltsin foi marcado por crises inflacionárias que colocavam o futuro da Rússia em questão. No ano de 1998, a crise econômica russa atingiu patamares alarmantes. Sem condições de governar o governo, doente e sofrendo com o alcoolismo, Boris Ieltsin renunciou ao governo. Somente a partir de 1999, com a valorização do petróleo no governo de Vladimir Putin, a Rússia deu sinais de recuperação.

Filmes

– Os últimos dias da URSS

Sinopse: Moscou, 31 de dezembro de 1991: a bandeira vermelha do Kremlin é arreada e substituída pela bandeira tricolor da Rússia, marcando o fim da União Soviética e de suas ideologias.
Quem poderia imaginar que apenas dois anos após a queda do Muro de Berlim, os cidadãos soviéticos estariam derrubando as estátuas de Lenin no berço do comunismo?
De 1989 a 1991 uma série de eventos imprevisíveis e inevitáveis aconteceram, através de uma aceleração aos solavancos da história, trazendo à luz a rivalidade entre dois homens e a sua luta pelo poder: Gorbachev, prejudicado pelos resultados econômicos da sua perestroika, e Yeltsin, incorporando as esperanças do povo russo.
Ilustrados com entrevistas dos protagonistas, tais como Mikhail Gorbachev, o documentário narra, dia a dia, os últimos dois anos da URSS e lança luz sobre as lutas de poder que levou ao colapso repentino de um dos impérios mais poderosos do século XX.

– DR. Fantástico

Dirigido por Stanley Kubrick, Dr. Fantástico é uma grande sátira da paranoia e do militarismo do período da Guerra Fria. Um general louco começa um processo que pode levar a uma guerra nuclear numa “sala de guerra” repleta de militares e políticos, que, por sua vez, tentam entrar em contato com os aviões antes que eles lancem a bomba na União Soviética.
Cada um dos personagens é um estereótipo de personagens da época: o militar que quer guerra, o cientista alemão, o piloto “caipira” e nem mesmo Hitler escapam da sátira de Kubrick. Muitas das falas fazem referência às teorias do período, como a de Destruição Mútua Assegurada (em inglês, a sigla é MAD, que significa “louco”), segundo a qual uma guerra nuclear necessariamente terminaria na eliminação das duas potências e, por isso, nem Estados Unidos nem União Soviética iniciariam um ataque direto.

Questões

1. (Enem 2ª aplicação 2010) A bandeira da Europa não é apenas o símbolo da União Europeia, mas também da unidade e da identidade da Europa em sentido mais lato. O círculo de estrelas douradas representa a solidariedade e a harmonia entre os povos da Europa.
Disponível em: http://europa.eu/index_pt.htm. Acesso em: 29 abr. 2010 (adaptado).
A que se pode atribuir a contradição intrínseca entre o que propõe a bandeira da Europa e o cotidiano vivenciado pelas nações integrantes da União Europeia?
a) Ao contexto da década de 1930, no qual a bandeira foi forjada e em que se pretendia a fraternidade entre os povos traumatizados pela Primeira Guerra Mundial.
b) Ao fato de que o ideal de equilíbrio implícito na bandeira nem sempre se coaduna com os conflitos e rivalidades regionais tradicionais.
c) Ao fato de que Alemanha e Itália ainda são vistas com desconfiança por Inglaterra e França mesmo após décadas do final da Segunda Guerra Mundial.
d) Ao fato de que a bandeira foi concebida por portugueses e espanhóis, que possuem uma convivência mais harmônica do que as demais nações europeias.
e) Ao fato de que a bandeira representa as aspirações religiosas dos países de vocação católica, contrapondo-se ao cotidiano das nações protestantes.

alternativa B

2. (Mackenzie 2010) “Não há sociedade, só indivíduos”.
Margaret Thatcher, primeira-ministra britânica

Primeira mulher a ocupar o cargo de primeiro-ministro na história da Inglaterra, de 1979 a 1990, Thatcher recebeu do então presidente norte-americano, Ronald Reagan, o título de “o homem forte do Reino Unido”. Indicada pelo Partido Conservador, suas decisões firmes marcaram a adoção de uma política neoliberal e o fim do modelo, então praticado, conhecido como Welfare State. Com relação a esse novo modelo de governo, assinale a alternativa correta.
a) Privatização de empresas estatais, em que produtos e serviços considerados estratégicos para a soberania nacional são submetidos à lógica do mercado internacional, permitindo um aumento dos gastos públicos em saúde e educação.
b) Retomada de uma política econômica sustentada por economistas, como Haydek e Friedman, defendendo a absoluta liberdade econômica, mas com preocupações voltadas para a distribuição da riqueza nacional.
c) Possibilidade de que países em desenvolvimento melhorassem seus quadros sociais, com o aumento de empregos para a classe trabalhadora, graças à atuação de empresas transnacionais em diversos setores.
d) Corte de gastos no setor social, aumento do desemprego, endurecimento nas negociações com os sindicatos, elevação das taxas de juros e fim da intervenção estatal, dando total liberdade aos setores financeiro e econômico.
e) Nova diretriz de governo adotada por Thatcher, na Inglaterra, não foi implementada pelos líderes de outras nações, que criticavam as desigualdades sociais geradas pela adoção desse modelo econômico.

alternativa D

3. (Pucrs 2010) Em dezembro de 1991, era criada a Comunidade de Estados Independentes (CEI), o que determinava a extinção da União Soviética. No interior da crise econômica e institucional, que mostrava efeitos havia pelo menos uma década, um elemento decisivo para a criação da CEI foi
a) a pressão diplomática do governo J. Carter.
b) o fortalecimento do Pacto de Varsóvia.
c) o nacionalismo das repúblicas bálticas.
d) o embargo militar decretado pela OTAN.
e) o apoio irrestrito do Partido Comunista russo.

alternativa C

4. (Pucmg 2009) A Guerra entre Rússia e Geórgia implica uma reflexão sobre nacionalismo e globalização. Sobre a construção do sentimento nacional no mundo globalizado, marque a única afirmativa CORRETA.
a) A “implosão” do império soviético nos anos 1990 coincide com o surgimento de uma nova geração de nações diferentes daquelas formadas ao longo das lutas anticoloniais. O sistema capitalista global caracteriza o mundo numa movimentação de unificação em torno das grandes potências.
b) O nacionalismo vem sendo esvaziado do seu sentimento de autonomia com a lembrança, de forma constante, de que o mundo se tornou menor e mais integrado, onde vínculos estreitos são forjados entre as economias e as sociedades, Estados e nações numa “comunidade internacional”.
c) A profecia da “aldeia global” de Mc Luhan vem sendo confirmada pela generalização dos meios de transporte de massa e de comunicação eletrônica. Certos símbolos, como o da Coca-cola, tornaram-se universais, invertendo o nacionalismo por universalismo com a ideia de que todos somos um.
d) O desafio contemporâneo é marcado pelo paradoxo da tendência à globalização e à superação desta, criando laços estreitos das nações do mundo entre si por um lado, e, simultaneamente, pelos conflitos que se assentam sobre as identidades políticas e à fragmentação étnica por outro.

alternativa D

5. (Pucmg 2008) O processo de exumação da área de influência do comunismo no mundo europeu teve como começo a reunificação das duas Alemanhas. Entre os diversos fatores que podemos apontar para avançar esse processo, é CORRETO indicar:
a) a intensificação da Guerra Fria na Ásia.
b) Glasnost e Perestroika na União Soviética.
c) o fim do Apartheid e a influência da Igreja Católica.
d) o aumento das ações terroristas no mundo.

alternativa B

Revoltas e a mineração no Período Colonial

A) Revoltas

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A partir de 1500, o Brasil foi colonizado por Portugal, embora a exploração do território não tenha começado no mesmo ano. No início, os portugueses apenas extraíam o pau-brasil, o qual era trocado com os indígenas através do escambo. Porém essa postura da metrópole portuguesa só mudou quando a ameaça de perder o Brasil e seus benefícios aumentou.
A exploração do Brasil foi se desenvolvendo em sentido colonial, e por isso, tudo que era produzido em território brasileiro iria para Portugal, o qual detinha os lucros finais. Essa relação estava inserida no Mercantilismo, o qual marcou as ligações de produção e lucro entre colônias e metrópoles. Lembrando que, o objetivo principal das metrópoles era obter o máximo de lucros possíveis com a produção das colônias.
A exploração excessiva feita pela metrópole portuguesa descontentou grande parte da população a partir do final do século XVII. Desde então, muitos movimentos de revolta ocorreram, dividindo-se entre nativistas, os quais ocorriam entre os colonos ou defesa de interesses de membros da elite colonial, e os de tipo separatistas, que reivindicavam a independência em relação a Portugal.
Entre as revoltas nativistas mais importantes estão:
• Revolta dos Beckman: ocorreu no Maranhão, em 1684. Foi a única revolta do século XVII. Seus líderes foram os irmãos Manuel e Tomas Beckman, os quais reivindicavam melhorias na administração colonial. Os portugueses reprimiram os revoltosos violentamente.
• Guerra dos Emboabas: foi um conflito ocorrido entre 1708 e 1709, em Minas Gerais. Isso aconteceu porque os bandeirantes paulistas queriam ter exclusividade na exploração do ouro recém descoberto no Brasil, porém muitos portugueses chegavam à colônia para investir na exploração. A tensão culminou em conflito entre as partes.
• Guerra dos Mascates: aconteceu entre 1710 e 1711, em Pernambuco. O confronto envolveu senhores de engenho de Olinda e comerciantes portugueses de Recife. A elevação de Olinda à categoria de vila desagradou os comerciantes enriquecidos de Recife, gerando um conflito. O conflito acabou com a intervenção de Portugal e equiparação entre Recife e Olinda.
• Revolta de Filipe dos Santos: aconteceu em 1720 e representou a insatisfação dos donos de minas de ouro em Vila Rica com a cobrança do quinto e a instalação das Casas de Fundição. O movimento foi encerrado violentamente pela Coroa Portuguesa, e seu líder, Filipe dos Santos Freire, condenado à morte.
As revoltas separatistas que se destacaram foram:
• Inconfidência Mineira: revolta ocorrida em Minas Gerais, em 1789, a qual era contra a exploração do Brasil, e por isso, pretendia tornar Minas Gerais independente de Portugal. Porém o movimento foi descoberto e seus participantes foram punidos pela metrópole. Tiradentes foi morto e esquartejado em praça pública para servir de exemplo aos demais do que aconteceria aos descontentes com Portugal.
• Conjuração Baiana: movimento ocorrido na Bahia, em 1798, o qual pretendia separar o Brasil de Portugal e acabar com a escravidão. Porem foi severamente punido pela Coroa Portuguesa.

B) Mineração no Brasil colonial

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A época da mineração no período colonial abrangeu basicamente o século XVIII, com o seu apogeu entre 1750 e 1770. Nessa fase, a vida econômica da colônia voltou-se para o extrativismo mineral, sendo que Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás eram as principais regiões auríferas.
A mineração dessa época foi desenvolvida a partir do ouro de aluvião, o qual possuía baixo nível técnico e suas jazidas se esgotavam rapidamente. No extrativismo do ouro, as formas de exploração mais comuns eram as lavras, em que se utilizava o trabalho escravo e uma técnica mais apurada, e a faiscação, que era a extração individual realizada por homens livres.

Após sua extração, o ouro era levado para as Casas de Fundição. Ali, era quintado, fundido e transformado em barras, o que assegurava o controle dos lucros da exploração pela coroa portuguesa.

– Legislação, órgãos e tributos da mineração
Com o Regimento das Terras Minerais, a exploração aurífera poderia ser livre, mediante o pagamento do quinto. Por esse regimento, a distribuição das jazidas era divididas em datas e passadas para os exploradores mediante o sistema de sorteio, promovido pela Intendência das Minas. No que refere a tributação, inicialmente existia o quinto, o qual não era tão eficiente, já que havia o contrabando, pois o ouro podia estar em pó. Com o intuito evitar o contrabando e efetivar sua cobrança, foram criadas as Casas de Fundição, Vila Rica, as quais transformavam o ouro em barras timbradas e quintadas. Em 1735, foi criado um novo imposto, a capitação, onde se cobrava 17 gramas por escravo em atividade na mineração.
Em 1750 foi instituída a finta, que era a fixação de uma cota fixa de 100 arrobas que incidia sobre toda a região aurífera. Porem, com a decadência da mineração, essa cota não era atingida, o que gerava um déficit que se avolumava a cada ano. Portanto, em 1765, foi instituída a derrama, que cobrava o quinto atrasado, que deveria ser pago por toda a população da região. E esse quadro só aumentou o descontentamento contra os abusos da metrópole portuguesa.
A exploração dos diamantes
Bernardo da Fonseca Lobo descobriu, por volta de 1729, as primeiras jazidas de diamantes no arraial do Tijuco, atual Diamantina. A partir de então, teve início sua exploração, a qual era considerada um monopólio régio.
Em 1733, foi criado o Distrito Diamantino, única onde podia se explorar legalmente as jazidas, mediante o pagamento do quinto e da capitação sobre o trabalhador escravo. Em 1739, houve o sistema de contrato, o qual deu origem aos ricos contratadores. Porém, diante das irregularidades e do desvio dos impostos, em 1771, foi decretada a régia extração, que contava com o trabalho de escravos alugados pela coroa. Posteriormente, com nova liberação da exploração, foi criado o Livro de Capa Verde, contendo o registro dos exploradores, e o Regimento dos Diamantes, procurando disciplinar a extração. Contudo, o monopólio estatal sobre os diamantes vigorou até 1832.

– As consequências da mineração
A mineração e suas consequências refletiram fortemente sobre a vida econômica, social, política e administrativa da colônia.
Podemos citar como principais consequências a grande migração de portugueses para a região das Gerais, o que gerou uma explosão populacional; o deslocamento do eixo econômico e demográfico para a região Centro-Leste; a intensificação do tráfico negreiro e a mudança de capital para o Rio de Janeiro, a qual foi decretada pelo marquês de Pombal em 1763.
A mineração também desenvolveu o comércio e mercado interno. A vida urbana, por conta da exploração, gerou uma sociedade heterogênea, que convivia lado a lado com o trabalho livre e o trabalho escravo, o que fez a concentração de renda ser menor, enriquecendo, principalmente, os setores ligados ao abastecimento.
Vale lembrar que a “corrida do ouro” promoveu o povoamento do interior do Brasil, anulando a velha demarcação de Tordesilhas.
Questões

1) (FUVEST) O ideário da Revolução Francesa, que entre outras coisas defendia o governo representativo, a liberdade de expressão, a liberdade de produção e de comércio, influenciou no Brasil a Inconfidência Mineira e a Conjuração Baiana, porque:
a) cedia às pressões de intelectuais estrangeiros que queriam divulgar suas obras no Brasil.
b) servia aos interesses de comerciantes holandeses aqui estabelecidos que desejavam influir no governo colonial.
c) satisfazia aos brasileiros e aos portugueses, que desta forma conseguiram conciliar suas diferenças econômicas e políticas.
d) apesar de expressar as aspirações de uma minoria da sociedade francesa, aqui foi adaptado pelos positivistas aos objetivos dos militares.
e) foi adotado por proprietários, comerciantes, profissionais liberais, padres, pequenos lavradores, libertos e escravos, como justificativa para sua oposição ao absolutismo e ao sistema colonial.

ALTERNATIVA E

2) (Mackenzie) Há duzentos anos, em 1798, um movimento pela  Independência do Brasil inspirou-se nos ideais revolucionários franceses, defendendo a igualdade social, o trabalho livre e o fim das distinções de raça e cor. Teve caráter popular, influência maçônica e forte conteúdo social. Identifique-o nas alternativas abaixo.
a) Inconfidência Mineira
b) Conspiração dos Suassunas
c) Revolução Pernambucana
d) Inconfidência Baiana
e) Conjura Literária

ALTERNATIVA D

3) (FUVEST) Podemos afirmar que tanto na Revolução Pernambucana de 1817, quanto na Confederação do Equador de 1824,
a) o descontentamento com as barreiras econômicas vigentes foi decisivo para a eclosão dos movimentos.
b) os proprietários rurais e os comerciantes monopolistas estavam entre as principais lideranças dos movimentos.
c) a proposta de uma república era acompanhada de um forte sentimento antilusitano.
d) a abolição imediata da escravidão constituía-se numa de suas principais bandeiras.
e) a luta armada ficou restrita ao espaço urbano de Recife, não se espalhando pelo interior.

ALTERNATIVA C

4) (FGV) O movimento político organizado na Bahia em 1789 incluía em seu bojo e na sua liderança mulatos e negros livres ou libertos, ligados às profissões urbanas, como artesãos ou soldados, bem como alguns escravos.
“Os conspiradores defendiam a proclamação da República, o fim da escravidão, o livre comércio especialmente com a França, o aumento do salário dos militares, a punição de padres contrários à liberdade. O movimento não chegou a se concretizar, a não ser pelo lançamento de alguns panfletos e várias articulações. Após uma tentativa de se obter o apoio do governador da Bahia, começaram as prisões e delações. Quatro dos principais acusados foram enforcados e esquartejados. Outros receberam penas de prisão ou banimento.”

O texto anterior refere-se à:
a) Conjuração dos Alfaiates.
b) Balaiada.
c) Revolução Praieira.
d) Sabinada.
e) Inconfidência Mineira.

ALTERNATIVA A

5) (UFPE) As “revoluções libertárias” de Pernambuco, no século XIX, tinham um caráter separatista. A Revolução de 1817, entretanto, destacou-se por receber apoio de muitos padres católicos e da maçonaria.
Sobre esta Revolução, podemos afirmar que:
a) o governo revolucionário recebeu uma grande influência do Sinédrio, importante sociedade secreta de Portugal;
b) o principal objetivo do movimento era liquidar o comércio a retalho dominado pelos portugueses;
c) o seu líder maior – Frei Caneca – desejava a separação do Império e a formação de uma confederação;
d) o movimento revolucionário foi essencialmente militar, porque não havia uma classe burguesa local;
e) o governo provisório era representado pelos proprietários rurais, pelo comércio, clero, magistratura e forças armadas.

ALTERNATIVA E

6) (UEL) Dentre as rebeliões coloniais, a que marcou o início do processo de emancipação política no Brasil, por questionar a dominação metropolitana na colônia, foi a:
a) Revolta de Beckman.
b) Guerra dos Mascates.
c) Guerra dos Emboabas.
d) Inconfidência Mineira.
e) Confederação do Equador.

ALTERNATIVA D

Curiosidades

• O nome emboaba era derivado do Tupi e significava ave com penas até os pés.
• A Conjuração Baiana teve a participação de pessoas de todos os níveis sociais, inclusive mulheres.
• Um grupo de pessoas começou a realizar reuniões na cidade de Vila Rica e lá planejavam uma conspiração contra o governo português. Tiradentes era o membro mais pobre do grupo.
• Grande contingente de baianos foi atraído pelas minas. Até senhores de engenho abandonaram tudo e se mudaram para lá com todos os seus bens e escravos.
• O gado muar era essencial como meio de transporte. E o principal centro produtor estava localizado na região platina, que, tradicionalmente, fornecia esse gado para as minas peruanas.
• Na arquitetura e na escultura, emergiram as figuras de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, e mestre Valentim, nomes importantes do barroco mineiro.

Filme: Os Inconfidentes (1972)

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Tiradentes, o Mártir da Independência (1976).
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Colonização da América Portuguesa

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Na América portuguesa, não existiam metais preciosos ou povos organizados de tal forma que tivesse a possibilidade de imediata integração ao comércio metropolitano. Os portugueses estavam mais interessados no lado lucrativo do comércio de especiarias com as Índias.
Por esses motivos, em 1500, não existiu uma colonização efetiva e de povoação do território nas primeiras décadas do século XVI. Contudo, não se estabeleceu os elementos que caracterizam o domínio dos povos e do território, e a efetiva colonização. Os portugueses encontraram algo que poderia ser explorado: o pau-brasil.
Interessada nos lucros provenientes da madeira, a coroa portuguesa decretou o monopólio de exploração, sedendo licenças para o comércio da madeira, onde haveria grandes lucros. Indígenas eram  os responsáveis pelo corte e pelo transporte das toras, diversas vezes por longas distâncias; em ”compensação”, algo que servia de recompença/salário pelo trabalho que faziam, recebiam por meio do escambo objetos, como espelhos, colares, facas, machados. De forma extremamente predatória, calcula-se que por ano eram extraídas cerca de 300 toneladas de pau-brasil.
Muito mais que quinquilharias, esses objetos diziam respeito a avanços tecnológicos fantásticos para a população indígena, que não dominava a escrita, o metal e nem mesmo a roda. Uma machadinha europeia era para um indígena um instrumento fascinante, algo inconcebível para a sua cultura. Ou mesmo a domesticação de animais era impraticável no Brasil. Se a diversidade da flora e fauna brasileira certamente causou um choque nos europeus.
Apesar de não comparar – se com o extraordinário lucro que os portugueses conseguiam com o comércio com as Índias Orientais, a extração do pau-brasil consistiu em uma atividade importante nos primeiros anos de exploração da América portuguesa. Prova disso é a tentativa da França estabelecer relações com os indígenas da América do Sul e explorar a madeira.

Questões

1) (FUVEST) No século XVI, a conquista e ocupação da América pelos espanhóis:
a) desestimulou a economia da metrópole e conduziu ao fim do monopólio de comércio.
b) contribuiu para o crescimento demográfico da população indígena, concentrada nas áreas de mineração.
c) eliminou a participação do Estado nos lucros obtidos e beneficiou exclusivamente a iniciativa privada.
d) dizimou a população indígena e destruiu as estruturas agrárias anteriores à conquista.
e) impôs o domínio político e econômico dos criollos.

ALTERNATIVA D

2) (FEI-SP) As duas principais atividades econômicas que Portugal e Espanha incentivaram na América, no início da colonização, foram, respectivamente:
a) cacau na América portuguesa e a mineração da prata e do ouro na América espanhola.
b) a mineração na América Portuguesa e a monocultura do tabaco na América espanhola.
c) a monocultura da cana de açúcar na América portuguesa e a pecuária na América espanhola.
d) a monocultura da cana de açúcar na América portuguesa e a mineração de ouro e de prata na América espanhola.
e) a monocultura do algodão na América portuguesa e a pecuária na América espanhola.

ALTERNATIVA D

3) (Puc-rio) A aventura da colonização empreendida pela Coroa de Portugal, nas terras da América, entre os séculos XVI e XVIII, expressou-se na constituição de diversas regiões coloniais. Sobre essas regiões coloniais, estão corretas as seguintes afirmativas COM EXCEÇÃO DE:
a) No vale do Rio Amazonas, a partir do século XVII, ordens missionárias exploraram as “drogas do sertão”, utilizando o trabalho de indígenas locais.
b) No vale do Rio São Francisco, a partir do final do século XVI, ocorreu a expansão de fazendas de criação de gado, voltadas para o abastecimento dos engenhos de açúcar do litoral.
c) Na Capitania de São Vicente, em especial por iniciativa dos habitantes da vila de São Paulo, organizaram-se expedições bandeirantes que, no decorrer do século XVII, abasteceram propriedades locais com a mão-de-obra escrava dos índios apresados.
d) Nas Minas, durante o século XVIII, a extração do ouro e de diamantes, empreendida por aventureiros e homens livres e pobres, propiciou o surgimento de cidades, onde o enriquecimento fácil estimulava a mobilidade social.
e) No litoral de Pernambuco, durante a segunda metade do século XVI, a lavoura de cana e a produção de açúcar expandiram-se rapidamente, o que foi acompanhado pela gradual substituição do uso da mão-de-obra escrava do nativo americano pelo negro africano.

ALTERNATIVA D

4) (Puccamp) Em razão de as comunidades primitivas indígenas representarem, no Período Colonial, apenas reservas de força de trabalho a ser aproveitada no corte e transporte do pau-brasil, entre 1500 e 1530, no Brasil,
a) o comércio realizava-se através da troca direta ou escambo.
b) a maioria das atividades produtivas concentrava-se na economia informal.
c) o extrativismo mineral acabou desenvolvendo um mercado de consumo interno.
d) a economia baseou-se essencialmente em atividades agrícolas.
e) a expansão da pecuária impulsionou a utilização da mão-de-obra escrava africana.

ALTERNATIVA A

5) (ENEM) Na América inglesa, não houve nenhum processo sistemático de catequese e de conversão dos índios ao cristianismo, apesar de algumas iniciativas nesse sentido. Brancos e índios confrontaram-se muitas vezes e mantiveram-se separados. Na América portuguesa, a catequese dos índios começou com o próprio processo de colonização, e a mestiçagem teve dimensões significativas. Tanto na América inglesa quanto na portuguesa, as populações indígenas foram muito sacrificadas. Os índios não tinham defesas contra as doenças trazidas pelos brancos, foram derrotados pelas armas de fogo destes últimos e, muitas vezes, escravizados.

No processo de colonização das Américas, as populações indígenas da América portuguesa

a) foram submetidas a um processo de doutrinação religiosa que não ocorreu com os indígenas da América inglesa.
b) mantiveram sua cultura tão intacta quanto a dos indígenas da América inglesa.
c) passaram pelo processo de mestiçagem, que ocorreu amplamente com os indígenas da América inglesa.
d) diferenciaram-se dos indígenas da América inglesa por terem suas terras devolvidas.
e) resistiram, como os indígenas da América inglesa, às doenças trazidas pelos brancos.

ALTERNATIVA A

6) (ENEM) “Quando os portugueses se instalaram no Brasil, o país era povoado de índios. Importaram, depois, da África, grande número de escravos. O Português, o Índio e o Negro constituem, durante o período colonial, as três bases da
população brasileira. Mas no que se refere à cultura, a contribuição do Português foi de longe a mais notada.
Durante muito tempo o português e o tupi viveram lado a lado como línguas de comunicação. Era o tupi que utilizavam os bandeirantes nas suas expedições. Em 1694, dizia o Padre Antônio Vieira que “as famílias dos portugueses e índios em São Paulo estão tão ligadas hoje umas com as outras, que as mulheres e os filhos se criam mística e domesticamente, e a língua que nas ditas famílias se fala é a dos Índios, e a portuguesa a vão os meninos aprender à escola.”

TEYSSIER, P. História da língua portuguesa. Lisboa: Livraria Sá da Costa, 1984 (adaptado).

A identidade de uma nação está diretamente ligada à cultura de seu povo. O texto mostra que, no período colonial brasileiro, o Português, o Índio e o Negro formaram a base da população e que o patrimônio linguístico brasileiro é resultado da

a) contribuição dos índios na escolarização dos brasileiros.
b)diferença entre as línguas dos colonizadores e as dos indígenas.
c)importância do Padre Antônio Vieira para a literatura de língua portuguesa.
d)origem das diferenças entre a língua portuguesa e as línguas tupi.
e)interação pacífica no uso da língua portuguesa e da língua tupi.

ALTERNATIVA E

Curiosidades
• O Brasil recebeu este nome porque nos primeiros anos de sua colonização era extraída das matas na costa brasileira a madeira chamada pau-brasil. Ela era usada para tingir tecidos e a cor que produzia era a cor da brasa.
• Para desenvolver a produção do açúcar, os portugueses utilizaram nos engenhos a mão de obra escrava, os primeiros a serem escravizados foram os indígenas, posteriormente foi utilizada a mão de obra escrava.
• Os indígenas eram responsáveis pelo corte e pelo transporte das toras, muitas vezes por longas distâncias; em compensação pelo trabalho que efetuavam, os indígenas recebiam por meio do escambo objetos, como espelhos, colares, facas, machados.
• A produção açucareira, nas décadas de 1530 e 1540, foi a primeira atividade econômica sistemática estabelecida pelos portugueses no Brasil.
• Se a exuberância da flora e fauna brasileira certamente causou perplexidade nos europeus, igualmente é verdade que um cachorro – domesticado a milhares de anos por asiáticos e depois europeus – também causou assombro grande interesse por parte dos indígenas.

Filme: A Missão (1986).
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A conquista e colonização da América

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No contexto de colonização da América, temos um povoamento inicial feito por povos indígenas que em milhares de anos geraram novas civilizações, como maias, incas e os astecas, entre outros. Existem indícios da passagem de Vikings na América do norte.
Os europeus iniciaram a colonização da América depois de sua acidental descoberta, porque pretendiam chegar à Índia em busca de especiarias.
A primeira colonização europeia foi levada ao cabo pelos Vikings no século X. Possuindo colônias na Groelândia chegaram aos EUA através do Estreito de Bering.
Já a colonização ibérica foi feita inicialmente por Portugal e Espanha, as duas maiores potencias marítimas da Europa do século XIX. Acidentalmente descoberta por Cristóvão Colombo, a América foi dividida pelo fato dos espanhóis terem descoberto terras, que pelo tratado de Tordesilhas, pertenciam ao reino de Portugal. Com isso, toda terra descoberta a oeste do Cabo Verde era espanhola, ao leste era portuguesa.
Os ingleses não queriam ficar para traz nessa corrida marítima por terras jamais antes desbravadas, com isso houve uma ocupação inglesa na atual América do Norte, nessas áreas de domínio inglês foram formadas treze colônias com o objetivo principal de povoar o território.
As tentativas dos franceses em obter colônias na América foram muitas, mas como já haviam estabelecidas colônias de países rivais como Portugal, Espanha e Inglaterra, ficou difícil de obter sucesso nessas expedições. Mesmo assim conseguiram algumas áreas, principalmente no norte da América, fazendo divisa com colônias inglesas, ocupavam parte dos territórios vizinhos por meio de batalhas. Anos mais tarde essas áreas foram compradas pelos EUA.

Questões

1) (Puccamp)

Erro de português

Quando o português chegou
Debaixo duma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português

(Oswald de Andrade. “Poesias reunidas”. 2. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1972)

Sobre o contexto histórico em que se insere o fenômeno que os versos identificam é correto afirmar que
a) a descoberta de metais preciosos favoreceu o estabelecimento das primeiras relações econômicas entre portugueses e indígenas.
b) a agressividade demonstrada pelos nativos despertou o interesse metropolitano pela ocupação efetiva das novas terras.
c) a conquista da América pelos portugueses contribuiu para o crescimento demográfico da população indígena no Brasil.
d) no chamado período pré-colonial, o plantio e a exploração do pau-brasil incentivaram o tráfico africano.
e) apesar de ter tomado posse da terra em nome do rei de Portugal, o interesse da monarquia estava voltado para o Oriente.

ALTERNATIVA E

2) (FAAP) A colonização portuguesa no Brasil é caracterizada por uma ampla empresa mercantil. É o próprio Estado metropolitano que, em conjugação com as novas forças sociais produtoras, ou seja, a burguesia comercial, assume o caráter da colonização das terras brasileiras. A partir daí os dois elementos – Estado e burguesia – passam a ser os agenciadores coloniais e, assim, a política definida com relação à colonização é efetivada através de alguns elementos básicos que se seguem: dentre eles apenas um não corresponde ao exposto no texto; assinale-o.
a) a preocupação básica será a de resguardar a área do Império Colonial face às demais potências européias.
b) o caráter político da administração se fará a partir da Metrópole e a preocupação fiscal dominará todo o mecanismo administrativo.
c) o vértice definidor, reside no monopólio comercial.
d) a função histórica das Colônias será proeminente no sentido de acelerar a acumulação do capital comercial pela burguesia mercantil européia.
e) a produção gerada dentro das Colônias estimula o seu desenvolvimento e atende às necessidades de seu mercado interno.

ALTERNATIVA E

3) (Puccamp) Não, é nossa terra, a terra do índio. Isso que a gente quer mostrar pro  Brasil: gostamos muito do Brasil, amamos o Brasil, valorizamos as coisas do Brasil porque o adubo do Brasil são os corpos dos nossos antepassados e todo o patrimônio ecológico que existe por aqui foi protegido pelos povos indígenas. Quando Cabral chegou, a gente o recebeu com sinceridade, com a verdade, e o pessoal achou que a gente era inocente demais e aí fomos traídos: aquilo que era nosso, que a gente queria repartir, passou a ser objeto de ambição. Do ponto de vista do colonizador, era tomar para dominar a terra, dominar nossa cultura, anulando a gente como civilização.
(Revista “Caros Amigos”. ano 4. no. 37. Abril/2000. p. 36).
Considere as afirmações adiante sobre o papel da Igreja no processo de colonização.

I. Várias ordens religiosas atuaram na catequização dos índios brasileiros: franciscanos, carmelitas, beneditinos e, principalmente, jesuítas.
II. As ordens religiosas acumularam, gradativamente, um considerável patrimônio econômico, para o qual a mão-de-obra indígena foi fundamental.
III. A expansão do catolicismo não contou com o apoio da Coroa Portuguesa, que mantinha com a Igreja o regime de padroado.
IV. A Inquisição não chegou a atuar no Brasil Colônia, uma vez que o grande sincretismo existente impedia o estabelecimento de dogmas.

São corretas SOMENTE
a) I e II
b) II e III
c) III e IV
d) I, II e IV
e) I, III e IV

ALTERNATIVA A

4) (FAAP) A colonização portuguesa no Brasil é caracterizada por uma ampla empresa mercantil. É o próprio Estado metropolitano que, em conjugação com as novas forças sociais produtoras, ou seja, a burguesia comercial, assume o caráter da colonização das terras brasileiras. A partir daí os dois elementos – Estado e burguesia – passam a ser os agenciadores coloniais e, assim, a política definida com relação à colonização é efetivada através de alguns elementos básicos que se seguem: dentre eles apenas um não corresponde ao exposto no texto; assinale-o.
a) a preocupação básica será a de resguardar a área do Império Colonial face às demais potências européias.
b) o caráter político da administração se fará a partir da Metrópole e a preocupação fiscal dominará todo o mecanismo administrativo.
c) o vértice definidor, reside no monopólio comercial.
d) a função histórica das Colônias será proeminente no sentido de acelerar a acumulação do capital comercial pela burguesia mercantil européia.
e) a produção gerada dentro das Colônias estimula o seu desenvolvimento e atende às necessidades de seu mercado interno.

ALTERNATIVA E

5) Na América inglesa, não houve nenhum processo sistemático de catequese e de conversão dos índios ao cristianismo, apesar de algumas iniciativas nesse sentido. Brancos e índios confrontaram-se muitas vezes e mantiveram-se separados. Na América portuguesa, a catequese dos índios começou com o próprio processo de colonização, e a mestiçagem teve dimensões significativas. Tanto na América inglesa quanto na portuguesa, as populações indígenas foram muito sacrificadas. Os índios não tinham defesas contra as doenças trazidas pelos brancos, foram derrotados pelas armas de fogo destes últimos e, muitas vezes, escravizados.
No processo de colonização das Américas, as populações indígenas da América portuguesa

a) foram submetidas a um processo de doutrinação religiosa que não ocorreu com os indígenas da América inglesa.
b) mantiveram sua cultura tão intacta quanto a dos indígenas da América inglesa.
c) passaram pelo processo de mestiçagem, que ocorreu amplamente com os indígenas da América inglesa.
d) diferenciaram-se dos indígenas da América inglesa por terem suas terras devolvidas.
e) resistiram, como os indígenas da América inglesa, às doenças trazidas pelos brancos.

ALTERNATIVA A

6) (Fuvest) Sobre a chegada dos espanhóis à América e a subsequente colonização, pode-se afirmar que
a) as populações indígenas foram escravizadas, suas riquezas confiscadas e a evangelização do Novo Mundo atribuída, pela Coroa, exclusivamente aos jesuítas.
b) os indígenas, depois da execução dos seus imperadores, foram confinados dentro de missões religiosas e os espanhóis organizaram expedições para a captura dos fugitivos.
c) os espanhóis fizeram incursões bem sucedidas pelo interior do continente, dominaram culturas indígenas complexas e encontraram metais preciosos em abundância.
d) a agricultura de exportação foi a principal base do comércio colonial, sustentado por um sistema cooperativo de produção e pelo trabalho indígena compulsório.
e) o trabalho indígena eliminou a necessidade de escravos africanos, o lucro do comércio metropolitano permitiu afrouxar as regras do mercantilismo e estimular o sistema de frotas e galeões.

ALTERNATIVA C

7) (Pucsp) América Hispânica e América Portuguesa, futuro Brasil, viveram processos históricos parecidos, mas não idênticos, do final do século XV até a primeira metade do XIX.
A(s) questão(ões) a seguir discutem essas semelhanças e diferenças.

Quanto à conquista da América por espanhóis e portugueses, na passagem do século XV ao XVI, pode-se dizer que
a) no caso português o objetivo principal era buscar minérios e produtos agrícolas para abastecer o mercado europeu e no caso espanhol pretendia-se apenas povoar os novos territórios e ampliar os limites do mundo conhecido.
b) nos dois casos ocorreram encontros com vastas comunidades indígenas nativas, porém na América Portuguesa a relação foi racional, harmoniosa e humana, resultando num povo pacífico, e na América Hispânica foi violenta e conflituosa.
c) no caso português foi casual, pois os navegadores buscavam novas rotas de navegação para as Índias e desconheciam a América e no caso espanhol foi intencional, porque o conhecimento de instrumentos de navegação lhes permitiu prever a descoberta.
d) nos dois casos foi violenta, porém na América Portuguesa o extrativismo dos dois primeiros séculos de colonização restringiu os contatos com os nativos e na América Hispânica a implantação precoce da agricultura provocou maior aproximação.
e) no caso português foi precedida por conquistas no norte e no litoral da África, que resultaram em colônias portuguesas nesse continente, e no caso espanhol iniciou a constituição de seu império ultramarino.

ALTERNATIVA A

Curiosidades

• A população indígena foi responsável por grande parte da mão de obra empregada nas colônias espanholas.
• Todo equipamento bélico era desconhecido dos ameríndios, que combatiam quase desnudos e utilizavam basicamente arcos, flechas envenenadas e lanças.
• Na região Sul, a colonização baseou-se no latifúndio monocultor e escravista (plantation), cuja produção destina-se à exportação.
• A mineração estimulou também a prática da agricultura, da pecuária e da tecelagem em diversas regiões do território hispano-americano.

Filme: O Novo Mundo
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